Adubação à Taxa Variável

Com o aumento nos preços dos fertilizantes, a baixa oferta do mercado e alta demanda dos produtores, tecnologias como mapas e aplicações em taxa variável se tornam excelentes negócios para a otimização dos custos no campo.

Os conceitos de agricultura de precisão nos mostram que as propriedades não são uniformes. Logo, se as lavouras não são uniformes, então as aplicações em doses fixas são pouco eficientes e custam muito para o produtor. Você sabia que existem tecnologias de baixo custo para criação dos mapas e aplicação dos insumos em doses variadas em campo? Venha conhecer.

Estratégias para adubação em taxa variável

Existem duas principais estratégias para realização da adubação em taxa variável. A primeira envolve amostragens de solo georreferenciadas, em grade ou célula, e aplicação de fertilizantes e corretivos como KCl, MAP, DAP, calcário e gesso com base na fertilidade do solo.

Essa estratégia é a mais comum, usada atualmente no mercado das empresas e consultorias de agricultura digital quando o assunto é agricultura de precisão. Você pode conhecer mais sobre amostragem em célula e em grade, e como selecionar a melhor estratégia para sua propriedade, no nosso texto sobre a construção de mapas à taxa variável. Clique aqui para ler. (fazer o link com o post 1)

A segunda estratégia para a realização da adubação em taxa variável é mais complexa e envolve os mapas de produtividade proveniente das colhedoras. Essa alternativa requer a demanda de mais equipamentos e profissionais para calibrar e processar todos os dados necessários.

Com os dados em mãos, é possível analisar as manchas de produtividade e calcular as extrações de nutrientes de cada parte da lavoura. O passo seguinte, é calcular as reposições dos nutrientes e criar os mapas de recomendação de adubação com taxa variável.

Adubação baseada em amostragem de solo

Adubação baseada em amostragem de solo é a estratégia de aplicação de insumos mais utilizada pela maioria das propriedades do Brasil. É uma estratégia bastante simples e rápida, demora cerca de 15 a 30 dias desde o planejamento, até a coleta em campo e os resultados laboratoriais.

Podem ser mais simples e baratas, realizadas em células, ou mais complexas e mais caras, realizadas em grade e interpoladas.

A adoção de estratégias de manejo da adubação com base nas amostragens georreferenciadas de solo, em um primeiro momento, apresentam economia nos insumos utilizados, uma vez que aplicações em dose única são geralmente mais conservadoras, mas acabam resultando em erros para valores mais altos dos que são realmente necessários. Mesmo essa técnica não sendo a mais eficiente, espera-se um aumento de produtividade no campo, já que com a realocação dos insumos os desequilíbrios encontrados nos talhões são reduzidos, melhorando todo o manejo da lavoura.

Adubação baseada nos mapas de produtividade

A colheita das lavouras também possui variabilidade ao longo dos talhões. Os mapas de colheita podem ser utilizados no entendimento das manchas presentes nas lavouras e nos cálculos dos teores de nutrientes exportados pela colheita para posterior reposição via adubação.

Os mapas de colheita são provenientes de sensores que mensuram as quantidades colhidas durante um intervalo de tempo. Os sensores podem medir de forma direta ou indireta a quantidade colhida e são atrelados a um GPS para espacialização em campo. Associado a todo o sistema temos, também, a largura de corte e a distância percorrida pela colhedora.

Os dados são processados, filtrados e interpolados para criação do mapa final, o qual pode ser utilizado junto aos mapas de fertilidade do solo para aplicação de insumos em taxas variadas em campo. Adubação com base nos mapas de produtividade é mais eficiente, já que leva em consideração as variações de produção das áreas e não somente os teores dos nutrientes presentes no solo.

Em ambas as estratégias, o tamanho das áreas e dos talhões é irrelevante, desde que sejam aplicados os conceitos corretos.

Os produtores podem realizar as amostragens, processamentos dos dados e adubação em taxa variável por conta própria ou podem terceirizar esse serviço para profissionais da região. Atualmente, existem inúmeras empresas que realizam esse tipo de adubação.

Com o Granular Insights, por exemplo, é possível analisar deficiências nutricionais, integrar com ferramentas GIS por meio de mapas no formato shapefile e otimizar as aplicações e manejos em campo. Mesmo sem muita experiência, o produtor consegue reduzir custos e ser mais eficiente, uma vez que a plataforma auxilia na tomada de decisão através de uma interface simples e intuitiva.

Benefícios em possuir os mapas e dados

Se as lavouras não são uniformes, por que muitos produtores ainda insistem em realizar aplicações pela média?

Todo produtor conhece sua lavoura como a palma da mão, porém em áreas com grande escala produtiva, fica complicado entender onde estão as manchas de maior ou de menor produtividade. As intervenções localizadas baseadas nos mapas são a essência da agricultura de precisão.

A gestão detalhada pode ser dividida em duas partes:

1. INVESTIGAÇÃO: levantamento de dados no campo ou no escritório para o posterior tratamento e otimização. Podem ser dados de solo para correção e adubação, tratamentos fitossanitários, irrigação, semeadura ou preparo de solo.

2. TRATAMENTO EM TAXA VARIÁVEL: aplicações com maiores resoluções espaciais, cada metro quadrado da lavoura pode ser tratado de forma diferenciada.

Enquanto na agricultura convencional os insumos são aplicados em doses uniformes nos talhões, que às vezes possuem centenas de hectares, na agricultura de precisão temos as aplicações em taxas variáveis, atendendo melhor as manchas presentes nas lavouras.

Os benefícios da criação dos mapas e do tratamento em taxas variáveis são otimizações de insumos, maior sustentabilidade, aumento de produtividade e qualidade do produto, melhorias na qualidade das aplicações e, em alguns casos, redução de custos de produção.

Os produtores que não possuem máquinas com Kits de GPS, controladores e atuadores podem realizar a aplicação dos insumos em zonas previamente demarcadas na lavoura, regulando a máquina de forma manual, para atender de forma fixa cada necessidade local e mudar a dose de uma zona para outra.

A coleta de dados e a construção dos mapas de taxa variável são excelentes formas de otimizar a adubação em campo. Com o auxílio desse tipo de tecnologia é possível reduzir custos, aumentar a produtividade e manejar melhor cada talhão da lavoura.

Existem tecnologias de baixo custo para serem utilizadas em todas as propriedades, independentemente de seu tamanho ou capital investido.

Conceitos de agricultura de precisão ajudam os produtores a resolver os problemas do campo de forma mais eficiente e sustentável. Vale ressaltar que tudo isso só será eficiente se o produtor possuir conhecimento das estratégias corretas a serem utilizadas no processamento dos dados e das informações ou, então, buscar no mercado empresas confiáveis que possam ajudá-lo nessa missão. 

Referências:

https://www.agriculturadeprecisao.org.br/boletim-tecnico-04-mapas-de-produtividade/

https://teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11152/tde-22032019-180011/pt-br.php

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