As tecnologias vão substituir o agrônomo algum dia?

Informação e autonomia de decisão: essas são as palavras-chave que vão nortear o trabalho do produtor do século XXI, assim como do engenheiro agrônomo. E para produzir com mais qualidade e eficiência, a tecnologia e o conhecimento são suas principais aliadas. É fato que, há décadas, a tecnologia está presente com soluções inovadoras que modificaram os processos nos mais diversos setores da economia. Com o agronegócio, não poderia ser diferente. O trabalho no campo passou por muitas evoluções até chegarmos ao estágio atual, que alguns chamam de Agricultura 4.0.

Da biotecnologia, passando pela alta conectividade, até chegar em imagens geradas por satélites, as novas ferramentas digitais modificaram e otimizaram as etapas do ciclo produtivo. O resultado é maior lucratividade, redução de custos, inovação e agilidade no campo, gerando mais segurança alimentar para a sociedade. Isso tudo somado a mudanças na atuação dos profissionais ligados ao campo.

Com tanta tecnologia à disposição, chegará o dia em que a máquina vai substituir o agrônomo? Antes de entrar nessa discussão, é importante nos aprofundarmos um pouco mais nos impactos que a tecnologia trouxe ao mundo da agricultura nos últimos anos.

A tecnologia da informação aplicada ao campo

Os processos de mecanização e pesquisa científica no campo já vêm de longa data, mas a revolução mesmo aconteceu com a chegada da tecnologia da informação. A partir dela, as operações e decisões passam a ser orientadas com base em dados consolidados, obtidos em diversas frentes, como clima, solo, cultura e biotecnologia.

As novas tecnologias permitem a automação dos processos ao mesmo tempo em que se coletam mais informações – tudo isso está profundamente relacionado a novos conceitos, como o da Internet das Coisas, mas também do compartilhamento de informações globalmente pela internet e ferramentas que possibilitam estudos cada vez mais detalhados. Ou seja, equipamentos e profissionais trabalhando de modo conectado e otimizado.

Sob essa nova ótica, o agro passa a trabalhar seguindo quatro aspectos principais:

  • Gestão baseada em dados;
  • Produção a partir de novas ferramentas e técnicas;
  • Profissionalização;
  • Sustentabilidade.

O agronegócio passa a adotar recursos de alto nível tecnológico, sensores, comunicação entre máquinas, nuvem de dados, técnicas de análise e conectividade entre dispositivos móveis. Tudo para gerar e processar um grande volume de dados que servirão de base para a tomada de decisões no campo.

Entre os novos métodos, há de se destacar alguns, a começar pela análise do clima. É evidente que os fatores climáticos afetam todas as etapas do desenvolvimento das culturas, sua relação com a fauna presente no talhão e a ocorrência ou não de doenças e pragas na lavoura. Assim sendo, a coleta organizada e frequente de dados meteorológicos é de suma importância para a atividade agrícola, pois é uma prática que favorece diversas operações, como preparo do solo, adubação, semeadura, irrigação, pulverização e a colheita.

O monitoramento com imagens geradas por satélites, para extrair dados sobre o desenvolvimento das lavouras, é outra inovação em plena ascensão. Com auxílio de tecnologias desenvolvidas para otimizar a análise dessas imagens, o produtor consegue ter informações mais precisas sobre a situação da lavoura. É o caso do Granular Insights, cujo software faz análises a partir das imagens de satélite usando o Índice de Vegetação de Banda Larga e Dinâmica (WDRVI em inglês) para avaliar a situação da lavoura. Com os dados em mãos, o produtor consegue saber quais talhões ou áreas da lavoura estão com problemas ou precisando de atenção, agilizando a tomada de decisões.

Como conciliar a evolução tecnológica com o potencial humano?

Afinal, a tecnologia poderá tomar os espaços e a função do ser humano? Em alguns setores e sob determinados limites, sim. A robótica já é uma realidade em fábricas no mundo todo. Contudo, na agricultura, cabe ressaltar a inteligência e a capacidade do profissional, o olhar de quem entende profundamente do assunto. A tecnologia trouxe avanços extraordinários, mas só um profissional qualificado pode interpretar corretamente os dados fornecidos pelas máquinas e extrair deles os melhores resultados.

O trabalho do agrônomo é essencial para o momento mais crítico, a tomada de decisão. São dezenas, centenas às vezes, de decisões que devem ser tomadas ao longo de uma safra, então a capacidade de analisar cenário, mercado, clima e prever possíveis ganhos e perdas, não é uma tarefa fácil, certamente.

E aqui falamos de um Engenheiro Agrônomo preparado para este novo cenário. Um profissional com boa visão sobre gestão e monitoramento de cenários a médio e longo prazos, com inteligência de mercado, multidisciplinar, atento às inovações tecnológicas, com domínio das tecnologias, novas máquinas, imagens de satélites, mapeamento de colheitas, entre outros.

Enfim, alguém apto a gerar valor, desde o planejamento da lavoura, assistência técnica, sistema de produção até a execução de todas as atividades.

O profissional que atua hoje no agronegócio precisa estar pronto para a realidade do mercado, estar por dentro das mais modernas ferramentas e saber como extrair o máximo de valor dessas ferramentas para entregar ainda mais resultados a campo.

Os cultivos, solo e clima são quase os mesmos, mas o profissional é cada vez mais exigido para entregar bons resultados.

Vale lembrar que, segundo estimativas da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), até 2050 será preciso elevar em 70% a atual produção de alimentos para abastecer a população crescente. Isso aumenta ainda mais a responsabilidade do agricultor, e consequentemente do Engenheiro Agrônomo de transformar conhecimento em consultoria, usando da melhor forma os recursos naturais, sociais, tecnológicos e ambientais.

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