Como criar Zonas de Manejo e otimizar recursos na lavoura.

O produtor está sempre em busca de novas tecnologias, equipamentos ou técnicas que lhe tragam melhores resultados  e, principalmente, que melhorem a sua rentabilidade. A criação das zonas de manejo é uma delas e tem por objetivo personalizar a sua estratégia de manejo de acordo com necessidades de cada área de seus talhões

Para atingir este objetivo e construir boas Zonas de Manejo, é necessário conhecer mais sobre as culturas plantadas, o clima, o solo e, outras características dos talhões. Toda uma base de conhecimentos técnicos que convergem para um único fim: dar mais rentabilidade ao negócio. 

Há muitas variáveis que afetam o desempenho das plantas em um único talhão, portanto, o tratamento e o olhar homogêneo sobre um talhão inteiro podem ser um fator limitante no gerenciamento de recursos, comprometendo a produtividade ou utilizando seus investimentos de forma desnecessária.

Para obter o máximo rendimento, o ideal é que o produtor passe a tratar de forma individual cada área de seus talhões de acordo com um conjunto de características ou parâmetros similares – como a textura e propriedades físicas e químicas do solo. 

Perceba que aqui o foco é o aumento da lucratividade, não apenas da produtividade. O que difere uma busca da outra é que cada área pode ter diferentes características, o que afeta profundamente o desenvolvimento da lavoura, limitando ou aumentando seu potencial produtivo e consequentemente rentabilidade. De posse dessas informações, o produtor consegue gerenciar melhor os recursos e insumos investidos em cada talhão.

Uma vez que é humanamente impossível controlar cada m² da lavoura, faz-se necessário subdividir as áreas dos talhões, a fim de melhorar o rendimento do negócio como um todo. São as chamadas “Zonas de Manejo“, que você irá conhecer um pouco mais a partir de agora, caso não tenha tido nenhum contato com o termo anteriormente.

Em primeiro lugar, tenha em mente que as zonas de manejo oferecem uma solução a partir do isolamento de diferentes áreas e de seu mapeamento em um único talhão. Ao identificar mais precisamente as áreas de alto e baixo rendimento, as zonas de manejo ajudam o produtor a dar a atenção correta aos problemas certos e também dimensionar corretamente a aplicação de seus recursos.

Zonas de Manejo: como funcionam?

O mapeamento das zonas de manejo envolve a coleta e análise de uma grande quantidade de informações – quanto mais i, mais refinada serão as zonas. Em resumo, tudo o que possa ter efeito sobre o rendimento da lavoura pode ser examinado.  Ao invés de definir de forma aleatória o que são as  variáveis com soluções homogêneas, as zonas de manejo usam o histórico para abrir o seu próprio caminho e deixar mais clara a estratégia de manejo do produtor.

Independente de onde você esteja na curva da adoção de tecnologia, existem técnicas de zona de manejo que podem ser muito benéficas em sua lavoura. Construa suas zonas de manejo com base nas características e variáveis do solo, como textura, declive,, matéria orgânica, fertilidade, pH, drenagem, mapas de índice de vegetação, diferentes tipos de imagens, informações topográficas e, principalmente, a sua própria experiência em anos anteriores. Tudo isso gera dados que são utilizados na hora de isolar áreas de produção em um determinado talhão. 

Para criar essas divisões dentro de cada talhão, o ideal é fazer o mapeamento do solo e das colheitas de safras anteriores. Quanto mais informações, mais eficiente será o resultado. Com as zonas de manejo, praticamente tudo o que pode ser alterado pode ser tratado com mais precisão. 

A partir daí, ações podem ser tomadas, como fertilização, soluções de irrigação, controle de pragas ou necessidade de corretivos. Você pode incluir também mapas de nutrientes como o potássio (K) e o fósforo (P), conforme os exemplos abaixo:

Mapas de elementos químicos de um mesmo talhão.
Imagem 01. Mapas de elementos químicos.

Também é possível criar várias zonas de manejo em um único talhão, dependendo das características e texturas daquele solo. Geralmente, leva pelo menos de três a cinco anos de coleta de dados para estabelecer as zonas de manejo com a máxima precisão

Em geral, elas são divididas em três categorias: Baixa, Média e Alta, sendo que cada categoria reflete o potencial daquela área, direcionando o investimento a ser feito, 

Colocando em prática

A adoção das zonas de manejo serve para que o produtor tenha uma melhor compreensão acerca da gestão e do controle de uso de insumos, direcionando onde e como investir em suas áreas. O produtor pode, por exemplo, calcular o investimento versus o retorno em cada zona e, dessa forma, gerenciar melhor os recursos e fazer sua atividade ser cada vez mais rentável.

Quer um exemplo? Se você identifica que uma determinada área rende, em média, 30% a menos do que as demais zonas, você pode investir menos nessa área no próximo ano. Cortando a metade do investimento nessa zona de baixa, e tendo uma queda de apenas 20% na produtividade, você já estará utilizando melhor seus recursos. O mesmo se dá nas áreas de alta, em que, às vezes, um acréscimo de 10% no investimento pode gerar um aumento de 30% na produção. Com essas informações e as zonas bem definidas, você planeja sua próxima safra de forma muito mais assertiva.

Depois de mapear as zonas de um talhão, faça a verificação do solo e o acompanhamento dos problemas existentes. Ao invés de depender apenas de um mapa para indicar uma produção mais alta ou mais baixa, coloque em prática uma observação cuidadosa e uma avaliação por parte de um eng. agrônomo para determinar a razão do desempenho de cada área.

Lembre-se que as zonas são orgânicas, elas variam a cada nova safra e podem ter variações para cada cultura plantada. O ideal é a busca constante por seu refinamento.

O uso de imagens de satélite na criação de Zonas de Manejo

Levando-se em conta que muitos produtores não possuem um histórico completo de suas áreas, tampouco acesso a mapas de solo ou de colheita precisos para criar suas zonas de manejo, tem-se intensificado nos últimos tempos o uso de imagens de satélite para executar essa estratégia.

Com a funcionalidade de Exportação de Imagens, do Granular Insights, por exemplo, possível baixar a camada de Índice de Vegetação do talhão no formato Shapefile (.shp) e utilizá-la com seu software GIS preferido, como Ag Studio, SST e SMS, para identificar zonas de manejo.

Os estudos mais recentes, como esta tese aqui, apontam para uma correlação bastante confiável entre o uso de imagens de satélite e a implementação de zonas de manejo eficientes, como mostram as imagens abaixo:

 Imagem do Granular Insights em R6, Pré-Colheita e o Mapa de Colheita deste mesmo talhão
Imagem 02. Imagem do Granular Insights em R6, Pré-Colheita e o Mapa de Colheita deste mesmo talhão.

Essas imagens deixam claro que, através do uso do Índice Vegetativo com WDRVI do Granular Insights, é possível identificar a relação entre o mapa de colheita e as imagens obtidas alguns dias antes. De posse dessas informações, foram criadas Zonas de Manejo que influenciaram positivamente a produtividade deste talhão, como vemos na imagem abaixo.

Mapa com as Zonas de Manejo já definidas.
Imagem 03. Mapa com as Zonas de Manejo já definidas.

É importante notar que o uso de mapas de solo, de colheita e toda e qualquer informação sobre o talhão ajuda muito a refinar as zonas de manejo, mas como mostramos aqui, o uso de imagens de satélite para a construção dessas zonas é possível porque mesmo sendo apenas 1 variável, ela reflete o desenvolvimento da lavoura a partir de diversas variáveis durante toda a safra, desde o plantio até o pós-colheita, o que ajuda a não só identificar as zonas, mas acompanhá-las durante a próxima safra.

Embora alguns agricultores tenham praticado o zoneamento de manejo por anos, é de uns tempos para cá que sua popularidade cresceu. O principal benefício dessa técnica é simplificar uma situação complexa e organizar os dados obtidos para maximizar os recursos do produtor rural, aumentando a produtividade e a rentabilidade.

Conhecendo melhor os seus talhões, o produtor consegue torná-los mais rentáveis a cada nova safra.


Uma primeira versão desta publicação foi publicada no blog Agronegócio em Foco, que você pode conferir clicando aqui.

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