Conheça as fases de desenvolvimento do milho e saiba como fazer a adubação

Cultivado há mais de 5 mil anos, o milho é uma cultura cuja produção pode parecer simples à primeira vista, mas necessita de cuidados nutricionais especiais em cada fase de crescimento e desenvolvimento para que sejam alcançadas altas taxas de produtividade, qualidade e rentabilidade.

No Brasil há diversos híbridos de milho e uma variedade de práticas de manejo na preparação do solo, adubação, espaçamento, plantio, irrigação e controle de pragas e doenças que variam de região para região, mas o crescimento e desenvolvimento da planta são semelhantes. Por isso, entender os estádios vegetativos e reprodutivos da planta é essencial.

De igual modo, também é importante ter conhecimento das exigências climáticas adequadas para a cultura, tendo em vista que a planta do milho tem seu crescimento e desenvolvimento relacionados à quantidade de água fornecida (chuvas ou irrigação), à temperatura e à radiação solar (luminosidade).

Fases de crescimento e desenvolvimento de uma planta de milho

As variedades de milho cultivadas no Brasil possuem ciclo de crescimento e desenvolvimento (da semeadura à colheita) entre 110 e 180 dias – em algumas regiões, os produtores costumam realizar a colheita até antes. E uma mesma variedade pode ainda variar seu desempenho conforme a região onde foi plantada, a época da semeadura e condições climáticas.

A planta do milho possui 10 estádios vegetativos (crescimento) e 6 estádios reprodutivos (desenvolvimento). Ela necessita de ao menos 13 nutrientes (macro e micro) para se desenvolver, sendo os principais o nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). É importante estar atento às porcentagens que cada nutriente é absorvido pela planta, bem como a sua disponibilidade no solo.

A literatura científica define desta forma os estádios vegetativos da planta do milho: VE (emergência), V1 (primeira folha), V2 (segunda folha), V3 (terceira folha), V6 (sexta folha), V9 (nona folha), V12 (décima segunda folha), V15 (décima quinta folha), V18 (décima oitava folha) e VT (pendoamento).

R1 (florescimento), R2 (grão leitoso), R3 (grão pastoso), R4 (grão farináceo), R5 (grão farináceo-duro) e R6 (maturidade fisiológica) compõem os estádios reprodutivos de uma planta de milho. São estas divisões de V e R que permitem relacionar a fisiologia da planta e seus elementos com o clima, os fatores fitossanitários e fitotécnicos, bem como com seu desempenho.

Na fase de emergência das sementes do milho (estádio VE), em condições adequadas, a semente absorve água, incha e começa a crescer. De acordo com a literatura científica, ela demora entre quatro a cinco dias para emergir, mas em condições de baixas temperaturas e pouca umidade isso pode levar até duas semanas.

Nessa fase, basicamente, ocorre a embebição da semente, seguida da digestão das substâncias de reserva, síntese de enzimas e divisão celular. O sistema radicular vai sendo formado desse estádio até V1.

Três semanas após o plantio, seguindo o ritmo de crescimento em condições climáticas adequadas, a planta já está com três folhas – é o estádio V3, quando o ponto de crescimento está ainda abaixo da superfície do solo e o caule da planta está em formação inicial. No V3 são formadas todas as folhas e espigas que a planta terá.

Até alcançar a quantidade de seis folhas (estádio V6), o ponto de crescimento da planta estará abaixo da superfície do solo e seu desenvolvimento sofrerá influência direta da temperatura, que, se for baixa, alonga o ciclo da cultura e pode aumentar o número total de folhas, atrasar a formação do pendão e diminuir a disponibilidade de nutrientes.

De acordo com a literatura científica, a disponibilidade de água nesse período é essencial, mas o encharcamento do solo ou umidade pode matar a planta em poucos dias. Mas uma chuva de granizo ou vento nesse estádio terá pouco ou nenhum efeito na produção final dos grãos de milho. O controle de plantas daninhas também é fundamental até esse estádio, período crítico de competição entre a cultura e as plantas invasoras.

Do estádio V6 ao V8 (principalmente neste), o estresse hídrico provocado pelo excesso de chuvas pode afetar o comprimento dos internódios e diminuir a capacidade de açúcar no colmo, que poderão ficar mais finos, resultando em plantas de menor porte e menor área foliar.

Entre esses estádios, a planta fica mais suscetível ao ataque da lagarta-do-cartucho, sobretudo se em períodos secos. Entre o V3 e o V6 é quando deve haver nitrogênio disponível, em quantidades conforme recomendação baseada na análise de solo e na produtividade que se deseja obter por hectare.

N P K

A planta absorverá o N até a fase do pendoamento (VT), quando ocorre o auge da absorção desse nutriente. Depois, ela diminui e muda da área vegetativa para as espigas.

Na adubação com N é preciso ser levado em conta ao menos duas situações, conforme a literatura científica: a quantidade de N a ser tirada na silagem ou nos grãos de milho; e ter em mente que, do N que será absorvido pela planta, entre 30% a 50% será oriundo da adubação.

Assim, o restante do nutriente será oriundo do solo. Por isso, na quantidade de N a ser utilizada deve ser levada em conta a produtividade que se espera e a quantidade de N que será exportada pela planta – geralmente, pouco mais de 70%.

A Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo aponta que a necessidade média de N na cultura do milho grão é de 22 kg por 1.000 kg de grão (14% de umidade) para produtividades inferiores a 10 000 kg ha; 21 kg de N por 1.000 kg de grão (14,5% de umidade) para produtividades entre 10 e 12.000 kg/ha; e 20 kg de N por 1.000 kg de grão (14,5% de umidade), para produtividades superiores a 12.000 kg/ha.

Para o milho silagem, as indicações são de 13 kg de N por 1.000 Kg de matéria seca, para produtividades inferiores a 18.000 kg de matéria seca por hectare; 12 kg de Nitrogênio por 1.000 Kg de matéria seca, para produtividades superiores a 18.000 kg de matéria seca por hectare.

No caso do P, a adubação pode ser realizada para adequar a quantidade de nutriente disponível no solo ao que a planta de milho precisa, ou também de maneira a atender o necessário para mais de uma safra.

E tendo em vista que do teor de P no solo, apenas entre 20% a 30% é absorvido pela planta, é necessário observar na análise de solo a quantidade disponível e fazer a adubação em quantidades consideráveis.

De acordo com a literatura científica, corrigir o pH do solo também facilita a absorção do nutriente, que deve estar disponível para a planta desde o início da semeadura. Entre V3 e V4 a planta intensifica a absorção dos nutrientes.

No caso da absorção do P pela planta do milho, ela ocorre em níveis crescentes até a fase da colheita, quando estabiliza nos dias finais de maturação.

Com o K, não é muito diferente. A quantidade a ser utilizada na adubação dependerá da análise de solo e de quanto se deseja produzir por hectare, para haver uma noção da quantidade que será absorvida pela planta do milho.

O nutriente deve estar disponível também desde o início do plantio, mas ela pode ser feita em parte na semeadura e depois até a V6. Um diferencial em relação aos outros nutrientes, é que o K terá uma exportação pela planta do milho bem maior quando a produção for de silagem. Por isso, é importante estar atento a esse detalhe para fazer o manejo correto.

A cultura do milho requer ainda macronutrientes secundários e micronutrientes. O cálcio (Ca), o magnésio (Mg) e o enxofre (S) são macronutrientes secundários. Segundo a literatura científica, eles podem ser fornecidos por meio da calagem, o que provoca sua liberação no solo.

Os micronutrientes, por sua vez, são importantes o boro (B), cobre (Cu), o ferro (Fe), manganês (Mn), molibdénio (Mo) e zinco (Zn). A falta de resposta do milho a alguns destes micronutrientes relaciona-se a níveis adequados no solo ou ao fornecimento através da aplicação de calcário. De acordo com pesquisas científicas, a resposta do milho aos micronutrientes é mais evidente em solos arenosos e com baixo teor de matéria orgânica.Os micronutrientes podem ser aplicados no solo, via adubação foliar, nas sementes ou fertirrigação.

Condições climáticas ideais

A cultura do milho é cultivada em praticamente todo o país, por conta da adaptabilidade da planta. Mas o dever de casa para quem vai plantar deve ser o mesmo: fazer análise de solo e verificar as quantidades de macro e nutrientes disponíveis no mesmo, se atentar à melhor época para o plantio (variável em cada região), além das condições climáticas.

De acordo com a literatura científica, a condição ideal de temperatura no crescimento e desenvolvimento da planta do milho é variável, mas o extremo para que os processos metabólicos ocorram dentro do esperado ou próximo disso vão de 10ºC a 30ºC em qualquer região.

A planta do milho possui basicamente a mesma temperatura do ambiente. Por isso, o meio influencia diretamente nos processos metabólicos da planta. No tempo quente, o processo metabólico é mais rápido e no frio, mais lento. Fora dos extremos de temperatura (entre 10ºC e 30ºC), a planta não se desenvolve bem.

Exigente em água, a planta do milho, de acordo com a literatura científica, pode ser cultivada em locais com precipitação anual entre 250 mm e 5.000 mm. Durante o seu ciclo, a planta consome cerca de 600 mm.

Nos estádios vegetativos (V1 ao VT), a planta do milho dificilmente consumirá mais que 2,5 mm por dia, se o clima estiver quente e seco. Mas no período entre o espigamento e a maturação (R1 a R6), o consumo se eleva para entre 5 e 7,5 mm por dia. E caso a temperatura suba muito e a umidade do ar caia, o consumo diário de água vai a 10 mm.

Na classificação científica, o milho é uma planta do grupo C4, portanto muito eficiente na utilização da luz, que se reduzida a valores entre 30% e 40%, por longos períodos, tem sua maturação atrasada e pode resultar em queda da produção.

Na imagem acima é possível observar o efeito de baixa luz no desenvolvimento do milho: é o mesmo híbrido, porém foram plantados em épocas diferentes, o que fez com que uma área pegasse mais nebulosidade e as plantas não se desenvolvessem tão bem quanto as demais.

Da emergência à floração, a temperatura ideal para o desenvolvimento do milho é entre 24 e 30ºC, de acordo com a literatura científica, a qual aponta maior rendimento de matéria seca e de grãos à temperatura diurna de 21ºC. A produção em temperaturas mais elevadas resulta em curto período de tempo do enchimento de grãos, em decorrência da redução do ciclo da planta, e menor rendimento.

Alimento global

No mundo o uso de milho em grãos representa a maior parte do consumo destinado, em sua maioria, para a fabricação de rações de suínos e aves. Sua utilização, contudo, vai desde a alimentação humana até a indústria tecnológica. Com demanda crescente do grão, o Brasil busca meios de alcançar o mesmo nível de produtividade americana, que supera em muito a nacional. Assim, conhecer as fases de crescimento e desenvolvimento de uma planta de milho, e o que ela precisa para produzir mais, é fundamental para o desenvolvimento do país e para melhorar as escolhas de ferramentas e insumos que serão usadas em cada safra.  

Nesse sentido, o Granular Insights demonstra ser um grande aliado dos produtores brasileiros. Utilizamos imagens de satélite de alta frequência e resolução aliadas ao Índice de Vegetação da Granular, que utiliza o WDRVI para auxiliar no monitoramento da lavoura, antecipando a identificação de problemas e propiciando tomadas de decisões mais rápidas e assertivas. Nesse outro artigo do blog, explicamos com mais detalhes como o Granular Insights pode lhe auxiliar no monitoramento em cada estádio fenológico da cultura do Milho.

A Granular faz parte da Corteva Agriscience, que hoje oferece, entre outros produtos, híbridos de milho através das marcas BrevantTM Sementes e Pioneer®.

Referências

Alguns conteúdos que usamos como referência para este texto podem te interessar para aprofundar alguns dos temas, veja abaixo:

Adilson Pereira Duarte. BPUPs para o milho. Boas práticas para o uso eficiente de fertilizantes. Simpósio Internacional IPNI Brasil – IPNI Cone Sul. Foz do Iguaçu – PR. 20 e 21 de maio de 2014.

Embrapa. Cultivo do milho. 

José F. C. Barros e José G. Calado. A cultura do milho.  Texto de apoio para as Unidades Curriculares de Sistemas e Tecnologias Agropecuários, Tecnologia do Solo e das Culturas, Noções Básicas de Agricultura e Fundamentos de Agricultura Geral. Universidade de Évora, 2014.

Martin Weismann. Fases de Desenvolvimento da Cultura do Milho. 
Steven W. Ritchie, John J. Hanway e Garren O. Benson. Como a planta de milho se desenvolve.

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Buscando mais precisão na agricultura

Renata Bobrowski Rodrigues, 11/03/2021