Construção de Mapas à Taxa Variável

A construção de mapas e a utilização de tecnologias de aplicação de insumos em taxa variável estão sendo responsáveis por inúmeras otimizações nos custos de produção das fazendas do Brasil. Atualmente, uma das principais abordagens no manejo dos fertilizantes e dos corretivos é por meio de conceitos da agricultura de precisão em taxa variável realizados a partir da criação de mapas.

Vale ressaltar que a agricultura de precisão é um sistema de manejo diferenciado que também leva outras análises em consideração, uma vez que se entende que as lavouras não são uniformes e buscam soluções para melhor explorar cada pedaço da área. Mapas de colheita, mapas de solo como textura e fertilidade, fatores químicos e físicos, pragas e doenças, biomassa da vegetação, entre outros, são essenciais para o correto entendimento das manchas no campo.

O que são mapas de taxa variável?

Os mapas de taxa variável possuem três informações principais: latitude, longitude e a dose do insumo ou atributo a ser avaliado. Basicamente, mostram a localização em campo e a quantidade do atributo de interesse. Os mapas podem ser provenientes:

• da fertilidade do solo;
• dos mapas de recomendação de aplicação de insumos agrícolas;
• dos mapas de irrigação;
• dos mapas de produtividade, etc.

Os mapas nada mais são do que planilhas computacionais com informações de interesse a serem utilizadas no manejo de campo.

Como criar os mapas para aplicação em taxa variável?

Os mapas podem ser criados de diversas formas, desde análises em campo com sensores físicos, químicos ou provenientes de satélites, de drones ou de outras plataformas aéreas.

Mapas para correção e adubação

A maneira tradicional de aplicação de insumos no campo é a de dose única, proveniente de uma única amostra de solo. Porém, com conceitos de agricultura de precisão, é possível realizar amostragens de solo em grade ou em células e tratar de forma individualizada cada porção ou talhão da lavoura.

AMOSTRAGEM EM GRADE: Consiste em dividir e criar uma grade amostral virtual em um software SIG (Sistema de Informação Geográfica), passar tais coordenadas para um GPS de navegação ou app de celular (como o 4 farm, por exemplo) e posteriormente, ir para a coleta em campo. Devem ser coletadas subamostras para melhorar a representatividade dos dados. Os resultados do laboratório são atrelados às coordenadas da grade e interpolados para obtenção do mapa final nos locais onde não foram amostrados, criando o mapa total de superfície. Amostragens em grades pouco densas (de uma amostra a cada três ou cinco hectares) são pouco eficientes, visto que a interpolação normalmente demanda de grades da ordem de uma amostra por hectare ou ainda mais densas.

AMOSTRAGEM EM CÉLULA: Amostragem em célula é a mais barata para o produtor rural e exige menos experiência do usuário para processamento dos dados, uma vez que não demanda de interpolação para criação do mapa final. Nesse tipo de amostragem, o campo é dividido em talhões ou subáreas, que são denominadas “células”, as quais não necessariamente precisam ser regulares. São coletadas subamostras ao longo do talhão e enviadas ao laboratório para análise. Os resultados das análises são atrelados ao valor de todo o talhão para aplicação dos insumos, mesmo que o produtor não tenha uma máquina com kit de taxa variável com GPS e controladores.

A amostra em célula é a mais indicada para os produtores que querem investir menos dinheiro em amostragem de solo, mas estão começando a utilizar conceitos e tecnologias de agricultura de precisão e querem ser mais eficientes em suas áreas.

Mapas para tratamentos fitossanitários

A maneira convencional de se realizar tratamentos fitossanitários é em dose única em área total e, às vezes, via calendário. Porém, em alguns casos, as pragas e as doenças se encontram em reboleiras e em talhões específicos, não sendo necessária a realização dos tratamentos em área total, uma vez que acabam consumindo mais produtos e dinheiro dos produtores.

Os herbicidas, fungicidas e inseticidas podem ser aplicados de forma localizada e em taxas variadas. Os maiores desafios nesse manejo são no levantamento dos dados e nas informações de monitoramento para criação dos mapas e recomendações.

Os mapas podem ser criados com amostragens de pragas em campo, podem ser provenientes de imagens de satélites, drones e sensores. Mapas como índices de vegetação (WDRVI, NDVI, NDRE, VARI, TGI, entre outros) podem ser utilizados para otimizar as aplicações em campo nestes casos específicos.

Mapas para preparo de solo

Devido à ampla mecanização no campo, muitos talhões podem apresentar compactação em subsuperfície, o que acarreta no mau crescimento do sistema radicular, afetando a absorção de nutrientes pelas plantas.

Como as manchas de textura de solo também não são uniformes no campo, a compactação também pode ser manejada de forma localizada. Tratamentos em determinadas áreas podem ser realizados por meio de mapas provenientes de penetrômetros ou outros sensores, capazes de mensurar e criar mapas de compactação.

A operação de preparo de solo e subsolagem são as mais caras no manejo de campo, visto que demandam maiores fontes de potência do conjunto trator implemento, ocasionando maior consumo de combustível.

Mapas para semeadura

A semeadura convencional utiliza doses uniformes de sementes ao longo de todo o talhão. Porém, sabe-se que o potencial produtivo das lavouras também pode variar conforme as manchas de solo, fertilidade, teores físicos de areia e argila, teores de matéria orgânica e biologia do solo. Com mapas e informações dessa magnitude em mãos, pode-se variar a densidade populacional e também a genética utilizada em cada região no campo, assegurando maiores produtividades em cada metro quadrado das lavouras.

Já existem máquinas capazes de ajustar a taxa de semeadura e com mais de uma caixa de sementes, para variar, inclusive, o híbrido ou cultivar utilizado em cada caso.

Mapas para irrigação

Assim como outros fatores citados, a capacidade do solo armazenar e reter água também não é uniforme ao longo das lavouras. Quando o assunto é sustentabilidade, o manejo da água no Brasil ainda não é tão rigoroso quanto em alguns países europeus.

O manejo da irrigação em campo pode trazer consigo, além de economia de milhões de litros de água, economia de energia elétrica em sistemas de irrigação automatizados, lucrando centenas de milhares de reais para o bolso do produtor ao longo do ano. Com sensores de solo, mapas de indicadores de planta ou mapas de textura como condutividade elétrica, por exemplo, é possível trabalhar com lâminas ou frequências de irrigação em doses variadas. Dessa forma, aumenta-se a produtividade das lavouras, otimizando custos com energia elétrica, com água e, ainda, com a vantagem de praticar uma postura mais sustentável no campo.

Softwares e ferramentas para criar os mapas

Existem diversos softwares e ferramentas que podem ser utilizados para criação dos mapas para taxa variada. Alguns deles podem ser adquiridos e usados de forma gratuita e outros são pagos. O produtor possui duas escolhas a fazer nesse momento:

1. Aprender a fazer os mapas por conta própria;
2. Contratar esses serviços de empresas e profissionais do mercado.

Alguns produtores gostam de aprender coisas novas e podem optar por softwares como o QGIS e outros que são gratuitos para criar e processar seus dados da lavoura. Já outros produtores, preferem contratar serviços e plataformas prontas do mercado, uma vez que suas horas de trabalho podem ser mais bem aproveitadas em outras atividades agrícolas.

Com o Granular Insights, os produtores conseguem analisar o mapa e os dados do talhão de uma forma simples e direta através do computador e de um aplicativo de celular.

Fonte: Granular

Com o Granular Insights, o produtor consegue obter imagens de satélite com alta qualidade e frequência, ter uma expectativa de produtividade para a cultura do milho, identificar mais facilmente possíveis zonas de manejo, identificar pragas e doenças, analisar o histórico da área e exportar o mapa de WDRVI do talhão para utilizar com softwares GIS, mesmo sem um conhecimento aprofundado de tecnologias no campo.

Não existe certo ou errado na escolha de aprender ou contratar um serviço que crie mapas de taxa variável, cada produtor deve avaliar o que é melhor e mais interessante para seu negócio e para a sua propriedade.

São muitos os tipos de mapas que podem ser criados para a otimização do gerenciamento da lavoura, cabe a cada produtor entender quais são seus maiores gargalos produtivos, problemas no campo e buscar softwares e ferramentas eficientes, que auxiliem na sustentabilidade ambiental e econômica do negócio.

Referências:

https://www.agriculturadeprecisao.org.br/boletim-tecnico-02-amostragem-georreferenciada/

https://teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11152/tde-22032019-180011/pt-br.php

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