Enfezamentos e cigarrinha-do-milho: uma dupla que tem causado problemas nas lavouras de milho

Um dos grandes avanços do cultivo do milho foi a quebra de sazonalidade do plantio. Hoje, dependendo da região e da conduta do produtor, é possível ter milho cultivado em um período muito maior do que no passado. Isso se dá pelo sistema da “safrinha”, realidade em muitos estados brasileiros. Esse cultivo, quase contínuo, do milho no Brasil, faz o cereal representar, segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), cerca de 40% de toda a safra nacional de grãos.

Porém, a evolução do milho não vem acompanhada somente de boas notícias. Ao modo que se planta, colhe, planta, colhe, a cultura permanece muito mais tempo nas propriedades e todo o ecossistema do ciclo de cultivo acompanha esse ritmo. Isso inclui, é claro, a maior permanência de pragas, de doenças e de plantas daninhas nas lavouras.

Um dos problemas que vêm aumentando nos últimos anos, fazendo os produtores se preocuparem com o potencial produtivo do milho, é o complexo do enfezamento que pode causar perdas de até 100% da produção. É uma doença da cultura do milho que vem se mostrando um desafio de controle.

Os dois tipos de enfezamento

O enfezamento é causado por microorganismos (semelhante a bactérias), denominados molicutes (espiroplasma e fitoplasma). Molicutes, para se ter uma ideia, são parasitas que vivem dentro das células dos seus hospedeiros, ou seja, impossível de se ver com a visão humana. Sabe-se que os molicutes estão presentes quando a planta já está infectada e mostrando os sintomas da doença, que nem sempre são fáceis de identificar a campo.

Existem dois tipos de enfezamento na cultura do milho. O enfezamento vermelho, causado pelo fitoplasma (Maize bushy stunt phytoplasma – MBSP) e o enfezamento pálido, causado pelo espiroplasma Spiroplasma kunkelii. A identificação correta da presença de enfezamentos na planta somente é possível por meio de análises de PCR.

Os sintomas típicos do enfezamento são os avermelhamentos (no caso do enfezamento vermelho) ou o amarelecimento (no caso do enfezamento pálido) generalizado da planta.

Enfezamento vermelho. Foto: Felipe Souto
Enfezamento pálido. Foto: Felipe Souto
Enfezamento pálido e multiespigamento. Foto: Felipe Souto

Além das colorações amareladas e avermelhadas nas folhas, plantas infectadas podem apresentar proliferação de espigas deformadas, perfilhamento na base ou nas axilas foliares, encurtamento de internódios (principalmente acima da espiga), grãos pequenos e frouxos, morte precoce, quebra de colmo, má formação de palha das espigas (palhas curtas, finas e rasgadas) e maior susceptibilidade dos fungos oportunistas que já se encontram no solo. Esses sintomas podem variar dependendo do nível de resistência do genótipo, da idade das plantas ao serem infectadas, da pressão de insetos vetores contaminados com mollicutes e das condições ambientais.

Todos esses sintomas são causados porque, ao se instalar na planta, os molicutes se translocam através dos vasos condutores de seiva, o que acaba afetando a fisiologia da planta e, assim, podendo levá-la à morte.

Formação da espiga. Foto: Felipe Souto
Multiespigamento. Foto: Felipe Souto

O enfezamento e a cigarrinha-do-milho

O enfezamento e a cigarrinha-do-milho podem ser consideradas como uma dupla de vilões que espalham o caos na lavoura. E a explicação do porquê desses dois serem tão temidos é simples. Sobre o enfezamento, você já sabe. Ele é o sinal da doença causada pelos molicutes. Mas como esses patógenos microscópicos chegam de uma planta para outra e se espalham na lavoura? A resposta está em uma praga, muito pequena, conhecida como cigarrinha-do-milho (Daubulus maidis).

A cigarrinha-do-milho é o vetor, é o que espalha a doença que causa o enfezamento. Naturalmente a cigarrinha-do-milho não possui a doença, ela adquire a doença ao se alimentar de uma planta de milho infectada e espalha a infecção ao continuar se alimentando de outras plantas de milho saudáveis.

O inseto, por si só, não causa danos na lavoura. É preciso que a cigarrinha-do-milho esteja infectada com a doença que causa o enfezamento. Assim, esse inseto, quer esteja infectada ou não, acaba se tornando o grande alvo de quem quer evitar o enfezamento.

Cigarrinha Daubulus maydis alimentando-se do milho. Foto: Claudete Baumgratz

Como evitar o enfezamento?

Uma vez que os molicutes se instalam, que se apresentam os sinais do enfezamento e que se confirma a doença na planta, não há manejo para tentar controlar a doença e recuperar a planta. O único caminho para evitar esse problema na lavoura é a prevenção por meio do controle da cigarrinha-do-milho, que é o vetor da doença.

Evitar plantios consecutivos de milho na mesma área, sincronizar a época de semeadura do milho, eliminar plantas de milho voluntárias, utilizar rotação de culturas são atitudes preventivas contra a cigarrinha-do-milho. Já, quando o assunto é se prevenir contra a enfezamento, o produtor precisa usar cultivares tolerantes ao enfezamento, monitorar e controlar a presença da cigarrinha-do-milho, usar tratamento de sementes com inseticida e realizar o Manejo Integrado de Pragas e de Doenças que combina um conjunto de boas práticas agrícolas para prevenir que pragas e doenças diminuam o potencial produtivo da lavoura.

Como o Granular Insights pode ser útil em caso de enfezamento?

Como já podemos perceber, o enfezamento é um problema com grande potencial para diminuir a qualidade e o rendimento da produção, uma doença complexa em seu controle que conta com um agravante: a pequena cigarrinha-do-milho que, quando infectada com molicutes, espalha o enfezamento para outras plantas em grande velocidade.

No caso do enfezamento, o Granular Insights e nenhum outro monitoramento por imagens, consegue evitar que a doença ocorra. O que se pode fazer com as imagens de satélite é acompanhar a doença, uma vez que as plantas infectadas morrem rapidamente e isso impacta no Índice Vegetativo.

O Granular Insights pode se mostrar útil, e ajudar o produtor, para constatar o potencial de dano causado pelo enfezamento, mostrando a área afetada pela proliferação da doença e assim, direcionando o manejo contra a cigarrinha-do-milho para iniciar nos pontos próximos, evitando, de alguma forma, que o enfezamento continue a se espalhar por meio da praga. Por meio das imagens geradas no Granular Insights, é viável, também, dimensionar a abrangência do problema dentro da área. Em alguns casos, é possível comparar a genética de milho utilizada dentro do mesmo cenário de pressão e validar, de fato, se há algo além da doença em questão na área, como, por exemplo: manchas de solo, ataque de outras pragas, quebramentos devido a susceptibilidade genética, etc.

Junto com as formas de prevenir o aparecimento do enfezamento e a multiplicação da cigarrinha-do-milho, o monitoramento com imagens de satélite do Granular Insights ajuda o produtor a ser cada vez mais capaz de proteger a sua produção por conseguir entender melhor cada parte da sua lavoura.

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