Gestão da informação: o novo desafio do profissional do campo

Efetivamente a agricultura 4.0 chegou ao Brasil. São milhares de produtores utilizando telemetria em máquinas, sensores inteligentes, softwares de gestão, imagens por satélite, entre tantas outras tecnologias já disponíveis. No entanto, há um desafio perante tantas ofertas de soluções tecnológicas: como utilizar as informações de forma eficaz e que gere valor à atividade agrícola?

O primeiro ponto e o mais importante a ser ressaltado é que a adoção de tecnologias digitais exige também um novo tipo de gestão do profissional do campo. Assim como a mecanização mudou no passado a forma de se produzir produtos agrícolas, a digitalização no campo irá alterar o formato da condução das atividades agrícolas.

As tecnologias atuais empoderam os produtores rurais com uma gama de informações que não eram disponíveis no passado. Dados climáticos em tempo real, contagem digital de pragas, infestação de plantas daninhas para aplicação a taxas variadas, imagens por satélite indicando comportamento do índice vegetativo, alertas fitossanitários entre tantas outras informações que podem ser trabalhadas isoladamente ou em conjunto.

Dado o dinamismo da agricultura, principalmente no que tange às culturas anuais, onde a necessidade de uma tomada de decisão rápida pode ser a diferença entre ter ou não uma alta produtividade, torna a digitalização do campo um aliado cada vez mais importante do produtor rural.

Portanto, orquestrar a gestão da atividade agrícola baseada em indicadores, cujas leituras são feitas em tempo real a campo, se tornará uma premissa básica para os produtores que querem permanecer competitivo. A ciência de dados mudará radicalmente a forma como enxergamos a agricultura, assim como tem alterado a forma como adquirimos bens de consumo via plataformas eletrônicas. A inteligência artificial, que já nos indica na rede social a oferta de um produto do nosso interesse (sim, as empresas já sabem o que gostamos de consumir), irá ajudar o produtor rural a resolver os seus desafios da forma mais rápida possível, indicando, por exemplo, a necessidade de realizar pulverizações preventivas antes da chegada de um ataque de praga ou doença, ou indicando, apenas, a necessidade de uma pulverização direcionada para reter o início de um foco.

A interação entre as diversas plataformas também será algo inerente a essa nova realidade. Nenhuma empresa da era digital oferece todas as soluções em conjunto, o que gera a necessidade de integrações tecnológicas. Plataformas de clima, por exemplo, podem se integrar a máquinas agrícolas indicando ao operador se as condições climáticas naquele momento são ideais ou não para a realização de uma pulverização. Plataformas especializadas em manejo podem ser integradas a scouting de pragas para avaliar a melhor operação fitossanitária que pode ser realizada. E nada impede, que todas as plataformas citadas acima façam parte de um Hub de integração.

Entender o conceito dessas soluções digitais e buscar abstrair o maior valor possível das ferramentas é o que ajudará o produtor a ter eficiência em suas atividades. Essas ferramentas são baseadas na gestão da informação, o que indica, portanto, que há a necessidade de um terceiro (o cliente) tomar a decisão em função das informações que recebe.

É evidente o incremento tecnológico pelo qual atravessa a agricultura. O movimento vem sendo promovido tanto por startups, que buscam trazer soluções disruptivas ao setor, quanto por grandes empresas, que buscam cada vez mais agregar serviços para o ganho de eficiência dos produtos tradicionalmente comercializados.

Mesmo diante da restrição da conectividade, é possível observar que há um rápido crescimento da transformação digital no campo. Como o desenvolvimento tecnológico cresce a taxas exponenciais, iremos observar soluções nunca imaginadas antes que, em breve, serão implementadas no campo. Esse é um movimento sem volta e que ajudará a agricultura mundial a elevar suas taxas de produtividade tão necessárias para alimentar o mundo.

Texto escrito por Leonardo Sologuren¹, convidado da Granular como especialista para falar sobre transformação digital no campo.


 

¹Leonardo Sologuren
Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia,
Cofundador da Zeus Agrotech e presidente do CESB.
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