Identificar a ameaça na lavoura é essencial para o controle eficiente

A agricultura se faz com sementes, água, solo, plantas que germinam, se desenvolvem e dão seus frutos. A agricultura se faz com processos de plantio, manejos, gestão dos recursos, sustentabilidade, colheitas, armazenamento, transporte, comercialização da produção. E, além disso, a agricultura se faz a partir de certos desafios que precisam ser superados para que se obtenham bons resultados na safra.

Um dos maiores desafios que acompanha a produção rural desde que ela existe e, sem pessimismo, sempre fará parte do processo, são as doenças e as pragas. É uma utopia imaginar uma grande escala de produção sem a presença dessas ameaças, afinal, tanto as doenças quanto as pragas são fatores naturais, presentes no nosso ecossistema. A diferença é que esses elementos, diferente do solo, da água e do sol, trazem prejuízos à produção e precisam ser controlados para que se mantenha o objetivo de colher o que se plantou.

De onde surgem as doenças e as pragas?

As pragas e as doenças podem vir de diversos lugares. Como já foi mencionado, elas estão inseridas no nosso ecossistema e aproveitam da abundância da produção para completarem seus ciclos de vida e de reprodução.

Dentre tantas maneiras de aparecimento de doenças na lavoura, existem casos em que elas são oriundas de uma má gestão na escolha do produto cultivado. Isso acontece com sementes não certificadas que podem estar, antes mesmo de serem plantadas na terra, contaminadas com algum patógeno, como, por exemplo, nematoides. Nesse caso, de sementes sem procedência, o erro mais comum é o de trazer para a propriedade um novo tipo de doença nunca antes vista e, com isso, gerar novos esforços de manejo. Para evitar esse tipo de problema que, inclusive, pode perdurar por safras e safras, é importante escolher bem as sementes e optar por produtos com certificação.

O aparecimento e incidência das pragas na lavoura pode ser influenciado por diferentes fatores relacionados com a cultura, as condições climáticas, a regiões de plantio, além de alguns aspectos de gestão humana da propriedade como, por exemplo: falta de rotação de culturas, que faz o mesmo tipo de praga se procriar; uso desequilibrado de produtos químicos para o controle, que pode gerar a resistência da praga; escolha de sementes que são suscetíveis a uma determinada praga, que torna o ambiente ainda mais favorável para infestação.

Mesmo fazendo parte do negócio, pragas e doenças são fatores que podem colocar em risco a produtividade e por essa razão, devem ser consideradas com a devida atenção. Na maioria dos casos, essas ameaças surgem de forma muito silenciosa. De início, pragas e doenças não despertam tantas suspeitas, mas quando o produtor nota a sua presença, muitas vezes, pode ser em um estágio de infestação em que o controle exigirá maiores esforços.

No atual cenário da agricultura, com toda a tecnologia e avanços que já temos, ainda não podemos dizer que pragas e doenças são assuntos levianos. Pelo contrário, o cultivo da monocultura em grande extensão vem gerando maiores surtos de ataques de pragas e a presença de doenças cada vez mais frequentes, o que exige maior expertise nos métodos de controle.

Quem pode ir contra pragas e doenças?

Se, por um lado, as adversidades estão mais presentes e resistentes, por outro lado, as metodologias, as técnicas e as ferramentas para controlar essas ameaças estão mais evoluídas. Atualmente, o conhecimento sobre cada praga, doença ou deficiência nutricional é grande. Sabe-se bem as características de uma adversidade, seu ciclo de vida, de reprodução, características que beneficiam o avanço da ameaça, regiões mais propícias e combinação de culturas apropriadas para rotação que freiam a evolução do problema.

Além disso, os manejos evoluíram em todos os aspectos, desde novos produtos químicos, até maneiras mais sustentáveis e eficientes de fazer a aplicação. Mas como usar todos esses aparatos no tempo certo, da forma mais economicamente viável e nas áreas que necessitam de atenção?

Monitorar é uma boa maneira de acompanhar a lavoura em busca de adversidades. Quando o monitoramento é feito de forma regular as chances de identificar adversidades em seus estágios iniciais é muito maior. E como você já deve ter percebido: quanto antes o problema for mapeado, mais rápido será seu controle e, assim, as chances de uma infestação se espalhar é menor.

Principalmente durante períodos críticos da lavoura é importante ter frequência no monitoramento para encontrar, antecipadamente, a adversidade e agir para remediar a perda da qualidade da produção.

Plantas que estão sofrendo algum tipo de ataque dão seus sinais e um dos principais deles é a baixa no Índice de Vegetação. Por exemplo, plantas de soja com a doença da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) mostram seus sinais nas folhas. No lugar da coloração verde, natural e saudável da planta, temos a incidência de lesões com coloração amarelada. Além dessa mudança de cor, as plantas infectadas apresentam desfolha precoce.

Queda prematura das folhas causada pela ferrugem asiática na soja. Esse rastro de destruição impacta no Índice de Vegetação mostrado pelo monitoramento com imagens de satélite. Fonte: Pioneer

Todos esses sinais são bem visíveis, mas se torna um desafio identificar o problema em meio a uma grande plantação. O monitoramento, através do Índice de Vegetação, capta, de certa forma, esses sinais de doença que as plantas apresentam. No lugar de um Índice de Vegetação alto, no caso das folhas verdes e saudáveis, temos a baixa do índice nessas folhas doentes. O produtor, com as imagens de satélite do monitoramento, conseguirá identificar essa diminuição do Índice de Vegetação e com isso ir até o local exato para identificar qual é o problema.

Com as pragas, o processo é muito parecido. O que muda são os sintomas que as plantas apresentam. Por exemplo, uma lavoura de milho que vem sendo atacada pela lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) dá seus sinais, uma vez que a lagarta penetra no colmo, criando galerias, o que provoca um sintoma conhecido por “coração morto”, ou seja, o colmo comprometido deixa de passar nutrientes essenciais para a planta que vai morrendo. A lagarta-do-cartucho causa desfolhas, buracos nas folhas e ainda, podem se alimentar das espigas e pendões.

Estudo que mostra os efeitos causados pela lagarta-do-cartucho em plantas de milho nos estádios V2, V4 e V6 após 14 dias de infestação. As plantas A, B e C não foram infestadas pela praga, já as plantas D, E e F foram infestadas com 20 lagartas. Fonte: Pioneer.

Essa praga, que pode ser vista pela visão humana, causa a destruição das plantas e deixa seu rastro que é muito mais facilmente identificado com o monitoramento, uma vez que o Índice de Vegetação das plantas atacadas vai baixar pelo simples fato das folhas verdes diminuírem ou da planta morrer completamente.

Tendo mapeado a área onde o Índice de Vegetação está menor, o produtor pode ir a campo identificar qual é o problema que está causando o mal desenvolvimento das plantas.

Agora, imagine esses dois cenários, porém, sem a ferramenta do monitoramento da lavoura com imagens de satélite. A descoberta da ferrugem asiática e da lagarta-do-cartucho poderiam se dar, até mesmo, só no momento da colheita, quando boa parte da produção já estaria comprometida.

Percebeu como agir rápido é essencial para o controle das ameaças nas lavouras? Monitorar os talhões, perceber a diferença no Índice de Vegetação e ir à campo identificar a adversidade é o caminho mais seguro para controlar o problema antes que as grandes perdas possam ocorrer. Porém, como identificar com certeza qual é a doença, a praga ou a deficiência nutricional que está causando o dano?

Identificar a ameaça de forma correta é essencial para o controle

É grande a lista de lagartas, de vespas, de percevejos, de bactérias, de vírus entre outras adversidades que podem afetar a produtividade de uma lavoura. Seria um desafio imenso para o produtor conseguir memorizar o nome e as características de cada ameaça que poderia vir aparecer na cultura. Por outro lado, saber identificar com maior certeza o que está causando problemas na lavoura é um passo importante a ser dado para o controle. O manejo exige que se saiba contra o que o produtor está lidando para que sejam aplicadas as melhores soluções do mercado referente ao controle de tal adversidade.

De um lado, temos uma vasta lista de pragas, doenças ou deficiências nutricionais. Do outro lado, a importância de saber identificar essas ameaças para realizar o controle da maneira mais eficiente possível. E no meio de tudo isso, o produtor que precisa se preocupar com tantas questões que envolvem o gerenciamento da sua propriedade e que, muitas vezes, fica sem tempo para estudar sobre as adversidades. E foi pensando em uma solução para essa equação que a funcionalidade “Identificação de Ameaças” foi criada e está disponível para os usuários do Granular Insights.

A nova função opera da seguinte forma: ao identificar sinais de ameaças na lavoura, o produtor poderá fotografar a lagarta, a vespa, o percevejo, a deficiência nutricional ou a doença encontrada nas plantas com a funcionalidade de identificação de ameaças do Granular Insights ativada. Depois das imagens capturadas e processadas, o Granular Insights vai buscar em seu banco de dados o possível reconhecimento dessa adversidade encontrada.

Obviamente é muito complexo afirmar com 100% de certeza qual a ameaça encontrada, por isso que o Granular Insights faz uma avaliação da fotografia e entrega porcentagens de possíveis nomes de ameaças. A partir disso, fica mais fácil entender qual é a adversidade que afeta a produção, excluindo milhares de outras possibilidades para se concentrar em apenas algumas.

A funcionalidade que ajuda a identificar ameaças na lavoura está na fase beta, ou seja, passa por testes e melhorias, mas já pode ser usada pelos usuários do Granular Insights. A novidade busca facilitar o trabalho dos produtores na identificação das pragas, das doenças e das deficiências nutricionais que afetam a lavoura, auxiliando na rapidez do manejo para o controle correto, eficiente e sustentável da adversidade.

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