Mitos e Verdades sobre Agricultura Digital – Parte 2

As tecnologias sempre fizeram parte da lavoura. Em outros tempos, ser tecnológico era possuir maquinários e ferramentas que facilitavam o plantio e a colheita. Hoje, esse tipo de tecnologia continua presente e evoluindo, mas a realidade do agronegócio vai além. E isso se dá pela presença da agricultura digital.

A descentralização é uma das características mais marcantes dessa era digital. A tecnologia se faz presente em tudo, até mesmo em lugares que não a enxergamos. Um dos exemplos são os satélites que capturam imagens da lavoura e entregam informações precisas para as tomadas de decisões. Não vemos esses satélites no espaço, mas eles estão lá, trabalhando por nós. 

Ser pequeno, na palma da mão, na tela de um computador, em um microchip, em um drone… não significa ser menos relevante. Bem pelo contrário, são essas tecnologias que estão revolucionando as lavouras do mundo, justamente por conseguirem contribuir em todas as partes do processo:

Pré-produção: pesquisas, compras de insumos e previsões climáticas;

Produção: otimização dos recursos que gera economia na produção e proteção da lavoura contra adversidades;

Pós-produção: venda dos produtos e rastreabilidade da produção.

Hoje, o agricultor brasileiro vive o que conhecemos como “agricultura 4.0” que tem como característica a modernização no campo para gerar maiores resultados atrelado com a sustentabilidade ambiental. Esse novo tempo gera dúvidas não só nos produtores, como também na opinião pública. Pensando nisso, fomos atrás de alguns mitos e verdades sobre a agricultura no primeiro post da série que você pode conferir clicando aqui.

Quando o assunto é, mais especificamente, a agricultura digital, as certezas e incertezas tendem a aumentar. As dúvidas sobre as novas ferramentas digitais são comuns, ainda mais nesse atual momento de transição. E é exatamente por isso que trouxemos, aqui, alguns questionamentos sobre esse universo digital do agronegócio. Confira:

O Brasil é digitalmente atrasado?

Mito! O agricultor brasileiro continua líder na digitalização no campo em relação aos seus principais concorrentes: Estados Unidos e Europa. A ascensão digital já vinha acontecendo, mas em 2020/2021 houve um salto de 36% para 46% dos produtores rurais que usam ferramentas digitais para auxiliar nas suas atividades. Uma das maiores frentes da digitalização está na agricultura de precisão, extremamente útil para o monitoramento de lavouras e tomadas de decisões baseadas em informações.

Fonte: Agro em Dia

Brasil mantém liderança na digitalização na agricultura

A maior barreira para a conectividade no campo é a falta de investimento?

Verdade! A expansão da digitalização só acontece com o acesso à internet e isso não é uma realidade em muitas partes do Brasil, principalmente quando estamos falando em pequenos e médios produtores. Incentivar e investir na conectividade é a única forma de garantir o aumento da agricultura digital. E esse é um investimento que vale a pena, fazendo com que o produtor tenha em mãos soluções que aumentam a capacidade de produção da sua lavoura.

Fonte: Embrapa

Pesquisa mostra o retrato da agricultura digital brasileira

Só algumas culturas podem ser inseridas no contexto da agricultura digital?

Mentira! Até podem surgir tecnologias específicas para certas culturas, mas a digitalização é do campo. Isso significa que a conectividade é feita para otimizar tudo que envolve o cultivo: o solo, o clima, os manejos, os equipamentos, as adubações, as pulverizações, os planejamentos, as tomadas de decisões, os funcionários, os insumos… As diversas ferramentas digitais focam em aspectos específicos e os recursos vão se complementando e dessa forma, conseguem abranger a propriedade como um todo. Podemos ter o Granular Insights como um exemplo, ele pode ser usado como ferramenta para monitorar diversas culturas, independente do tamanho de área plantada ou das localizações das propriedades.

Fonte: Embrapa

Pesquisa mostra o retrato da agricultura digital brasileira

A agricultura digital irá eliminar o emprego no campo?

Bem pelo contrário! A agricultura digital está inserindo novas profissões no agronegócio. Técnico em agricultura digital, operador de drones e cientista de dados agrícolas são algumas das novas carreiras que devem gerar 178,8 mil oportunidades nos próximos anos, sendo que só haverá 32,5 mil profissionais qualificados para preencher essas vagas. Ou seja, são mais oportunidades do que profissionais. O desafio acaba sendo a profissionalização e não a falta de emprego.

Fonte: G1

Veja 8 novas profissões do agronegócio em crescimento

A agricultura digital será obrigatória?

Fonte: Embrapa

O produtor decide qual o caminho seguir. A verdade é que a agricultura digital tem beneficiado os agricultores e potencializado os resultados no campo que, provavelmente, ninguém vai querer ficar de fora dos avanços. Por exemplo, porque não se aliar ao monitoramento de lavouras por imagens de satélite quando essa ferramenta oferece dados que são benéficos para o cultivo? Já é um fato que as vantagens são maiores para quem escolhe entrar na era digital do agronegócio.

Pesquisa mostra o retrato da agricultura digital brasileira

Neste segundo post da série de mitos e verdades, em que focamos em algumas perguntas relacionadas à agricultura digital, é possível identificar que as novas ferramentas tecnológicas já vem mudando o cenário no campo. Essa mudança é positiva quando ela está beneficiando tanto a produção, a preservação dos recursos naturais e a vida do trabalhador.

Como vimos, o Brasil não é um país tecnologicamente atrasado, mas ainda precisamos de investimentos para que a digitalização no campo seja uma realidade para todos os agricultores. Todos, independente da cultura, podem ser beneficiados pela agricultura digital, porque ela consegue ser inserida em qualquer contexto, e não é mais um aparato exclusivo dos grandes produtores ou das culturas recordes de exportações.
É fato que a digitalização é pensada para contribuir, mas sempre é válido uma análise do que o serviço oferece em relação ao que está sendo cultivado. Para isso, é importante ter em mente uma pergunta: “como essa tecnologia vai melhorar a minha vida ou potencializar a minha produção?”. Lembre-se que, antes de tudo, a agricultura digital tem o propósito de ajudar e jamais de atrapalhar.

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