Plantio com Taxa Variável

Com os altos investimentos nas sementes, o plantio utilizando a taxa variável pode reduzir custos no campo. Essa prática aproveita, de forma eficiente, cada metro quadrado da propriedade, o que pode fazer a diferença nos quesitos de incrementos da produtividade e nos baixos rendimentos no campo.

Atualmente, temos tecnologia para levantar dados e informações das lavouras que auxiliam no plantio em taxas variadas dentro dos talhões. Com o constante desenvolvimento de híbridos e de cultivares adaptados a ambientes de produção diferenciados, a semeadura de dois ou mais tipos de sementes se torna um sistema interessante de manejo.

Guiados pelos sensores e pelos mapas, é possível semear no mesmo talhão diferentes variedades, de acordo com as zonas de manejo, já que as semeadoras possuem mais de uma caixa para depósito de híbridos e de cultivares diferentes.

Importância do plantio com taxa variável

Controle de corte de seção na semeadora, sensores e monitores de taxa de plantio, são tecnologias que estão cada vez mais presentes nas máquinas agrícolas.

Máquinas que não são equipadas com tais tecnologias podem semear sobreposições nas bordaduras e no fechamento dos quadrantes, resultando em maior volume de semente utilizada por hectare, consequentemente maiores custos. 

Falhas no plantio e semeadura de plantas duplas podem prejudicar a produtividade das lavouras, uma vez que a competição entre as plantas é alterada quando o estande ideal não é respeitado. Quantidades de sementes maiores do que as necessárias aumentam os custos de produção, reduzindo os rendimentos.

Tais problemas na semeadura podem ser evitados quando os produtores utilizam tecnologias de corte automático de seção nas máquinas agrícolas. Com a utilização de sensores em cada seção da semeadora, já é possível reduzir os custos de produção, desligando o plantio nas áreas já semeadas, o que traz inúmeros benefícios ao gerenciamento da propriedade.

As taxas de semeadura são, basicamente, a quantidade de sementes por metro, e são vitais às maiores produtividades no campo. Erros na densidade populacional podem acarretar em redução da produção de cada planta na fazenda. Assim que o limiar máximo for atingido, cria-se uma competição entre as plantas que induzem uma briga entre si por água e nutrientes presentes no solo, resultando em queda de produção.

População ideal de plantas

A população ideal de plantas é aquela que gera o máximo rendimento por metro quadrado e varia de acordo com as sementes utilizadas e culturas semeadas. No caso do milho, densidades populacionais maiores em solos mais férteis geram maiores produtividades, o que não é válido no caso da soja, que se comporta de maneira contrária.

Para a cultura da soja, em solos mais férteis, densidades populacionais menores favorecem maiores ramificações nas plantas, gerando maiores produtividades. Reduzindo a taxa de semeadura da soja em 18% em ambientes altamente produtivos, não se vê diferenças na produtividade final do talhão, ou seja, reduzindo a taxa de semeadura e custos de produção, a produtividade é mantida, e o lucro do produtor é maior.

Há sementes que possuem mecanismos de autocompensação, regulando suas produções de acordo com os espaçamentos, fertilidades do solo e do ambiente onde estão inseridas. É evidente que fatores como época de semeadura correta e boas práticas agrícolas são essenciais para que tais otimizações sejam atingidas em campo.

O plantio com taxa variável engloba algumas análises que devem ser realizadas, como:

• fertilidade do solo;
• textura;
• disponibilidade hídrica;
• mapa de colheita;
• matéria orgânica;
• fatores climáticos;
• híbrido escolhido;
• cultura a ser semeada.

Uma vez que todos estes fatores podem variar de acordo com a região ou a localização da propriedade, o plantio em taxa variável deve ser levado em conta para atingir as máximas produtividades, utilizando ferramentas de agricultura digital e de agricultura de precisão. Muitos produtores rurais já possuem uma série de informações da sua propriedade, sendo totalmente possível a realização da semeadura em taxas variadas na safra seguinte.

Mapas para auxiliar no entendimento das manchas

Alguns mapas auxiliam diretamente no entendimento das manchas nas lavouras e devem ser usados para o planejamento da semeadura em taxa variável. Os mapas de colheita são considerados por muitos usuários como o primeiro passo para implantação de agricultura de precisão nas lavouras. Atualmente, quase todas as colhedoras de soja, milho, algodão, saem de fábrica equipadas com sensores para mensurar a produtividade por hectare. A análise das manchas de produtividade pode ser um dos dados essenciais para planejamento do plantio com taxa variável.

Os mapas de fertilidade do solo também são excelentes ferramentas na análise da variabilidade local. Guiados por amostragens georreferenciadas, seja em célula ou em grade, é possível selecionar regiões mais férteis da lavoura que receberão doses variadas de sementes.

Os mapas de condutividade elétrica aparente do solo (CEa) são outra abordagem interessante para o entendimento das manchas de textura no campo.

Os mapas de CEa correlacionam teores de areia e de argila em cada porção da lavoura, podendo ser mais uma camada para análise dos dados durante o planejamento do plantio com taxa variável. Há, ainda, no mercado, os sensores de matéria orgânica do solo que detectam seus diferentes níveis e conseguem ajustar de forma automática durante o plantio as diferentes taxas necessárias de semente.

Os sensores de umidade do solo também estão presentes nas máquinas e podem ser utilizados para ajustes nas profundidades ideais, de forma que o estande desejado seja atingido e respeitado.

Existem drones e satélites equipados com diversos sensores: índices de vegetação como o WDRVI utilizado pelo Granular Insights, entre outros, que também podem ser utilizados para coleta de dados e entendimento das manchas para plantio em taxa variável.

Máquinas e softwares para realizar o plantio em taxa variável

As semeadoras mais modernas possuem vários motores hidráulicos para controlar diversas seções da semeadora. Também estão disponíveis no mercado cortes de linhas individuais que utilizam sistemas de embreagem em cada linha, evitando-se sobreposição quando trabalhada com o auxílio de um GPS.

Quando o assunto são os softwares para processamento dos dados e informações, existem alguns que são gratuitos como o QGIS, além de outros pagos. Tais softwares e plataformas possuem plugins automáticos para criação das zonas e ambientes de produção, outros podem ser criados de forma mais manual.

A necessidade dos softwares vai depender da expertise de quem está processando os dados. Os produtores com baixa experiência podem contratar plataformas que já processarão os dados e entregarão os resultados prontos para o plantio à taxa variável.

Após a criação das zonas de manejo e atribuição da dosagem de sementes ou cultivares diferentes para cada área da fazenda, o último passo é exportar tais dados no formato de leitura do controlador da semeadora e realizar o plantio em campo. Alguns modelos de controladores presentes no mercado são: John Deere, Raven, Verion, Precision Planting, entre outros.

Com o auxílio do Granular Insights, é possível identificar possíveis zonas de manejo através do Índice de Vegetação e exportar a camada de WDRVI de forma simples e rápida, para ser utilizada em softwares GIS.

O plantio em taxa variável é essencial para otimização do manejo em campo e para o melhor aproveitamento de cada porção da lavoura, uma vez que a quantidade correta de plantas por hectare pode diminuir a incidência de ervas daninhas, pragas e doenças, reduzir acamamento e gerar incrementos na produtividade.

Com os altos investimentos de sementes e de insumos, o correto aproveitamento dos ambientes de produção com ferramentas de agricultura de precisão propicia melhores resultados na condução das lavouras, maior retorno por hectare e maior sustentabilidade.

Os produtores que precisarem de suporte para criação e processamento dos dados podem contratar empresas prestadoras de serviços que auxiliem a atingir objetivos como: otimização da produção e maiores ganhos em campo.

Referências:

https://www.researchgate.net/publication/328244521_Optimum_Soybean_Seeding_Rates_by_Yield_Environment_in_Southern_Brazil

https://www.iowaagribusinessradionetwork.com/farm-smarter-add-more-profit/

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