Qual a influência do GDU no desenvolvimento da cultura?

Você já deve ter ouvido falar em “GDU”, principalmente quando se refere a cultura do milho. Já se perguntou o que isso significa? Qual a sua aplicabilidade na lavoura? O GDU é realmente relevante para o cultivo ou na decisão de compra dos híbridos?

Para começar, é importante entender que o termo GDU é a abreviatura de “Growing Degree Units”. A tradução para o português é: “Unidades de Graus de Crescimento”. O GDU é exatamente o que o nome indica: uma unidade utilizada para estimar o período de crescimento e desenvolvimento da cultura. É o cálculo que mede a necessidade do acúmulo térmico diário para determinar a duração de um evento fenológico. O GDU mensura quantos graus de temperatura no dia são necessários acumular para que a planta passe do estádio vegetativo para o reprodutivo.

Além do milho, outras culturas (como o sorgo) também sofrem influência do acúmulo de calor que alguns podem conhecer como “soma térmica”. Claro que a temperatura basal será específica para cada cultura.

Para o cálculo de GDU é utilizado a fórmula abaixo: 

GDU= (Tmáx + Tmín./2) – Tbasal inferior

Onde:

Tmáx = Temperatura máxima do dia.

Tmín = Temperatura mínima do dia.

Tbasal = Temperatura basal mínima da cultura, no caso do milho utilizamos 10°C.

O acúmulo térmico influencia diretamente o ciclo da cultura

Imagine a seguinte situação: o híbrido de milho “A” possui GDU de maturação fisiológica de 1500, isso significa que ele precisa acumular 1500 unidades de calor para atingir a maturação fisiológica. Este híbrido foi semeado no mesmo dia em dois ambientes diferentes, na serra (1300 m de altitude) e no litoral  (100 m de altitude). Na serra, o híbrido atingiu a maturação fisiológica 150 dias após o plantio e no litoral 140 dias após o plantio, em condição de precipitação e de temperatura normais do ano. Por que essa diferença de 10 dias se estamos falando do mesmo híbrido, no mesmo dia de semeadura? Isso ocorre devido a planta responder ao acúmulo de unidades de calor e não a duração do ciclo em dias. Por estar em dois ambientes distintos, o clima característico das regiões não são iguais. No litoral, as temperaturas médias diárias são mais altas quando comparado com a região da serra. Dessa forma, o mesmo acúmulo de calor de 1500 que o híbrido precisa para atingir a maturação fisiológica ocorre de forma mais lenta na serra, e por isso é necessário mais dias.

Quando falamos em duração de ciclo de híbridos de milho, o correto é sempre usar o termo GDU e não considerar os dias de desenvolvimento, pois em dias essa variação pode ser acentuada quando comparado ao mesmo material em diferentes ambientes edafoclimáticos ou em épocas de semeadura distintas. GDU é uma resposta mais apropriada para a equação genótipo X ambiente.

O mesmo ocorre quando híbridos de milhos desenvolvidos para ambientes de segunda safra, normalmente, apresentam ciclo mais prolongado quando semeados em ambiente de primeira safra. 

Ao classificarmos os materiais em hiperpreoce, superprecoce e precoce, a necessidade de acúmulo de calor para completar o ciclo é específico para cada ciclo. A ordem do menor GDU para o maior GDU acumulado segue sendo hiperprecoce, superprecoce e precoce. Esse valor de GDU é muito particular de cada híbrido, pois está relacionado a sua genética. O GDU de cada produto pode ser encontrado nos catálogos de sementes da marca. Nos guias da Pioneer e da Brevant o GDU dos híbridos estão presentes junto com as demais informações sobre o produto.

A importância do GDU na escolha do híbrido

Na imagem a seguir, temos quatro híbridos semeados no mesmo dia e conduzidos com o mesmo manejo. Percebemos que o 1º e o 2º apresentam a linha do leite mais adiantada que o 3º e o 4º. Ou seja, ciclo mais acelerado, por isso que os dois primeiros são hiperprecoce e os dois últimos superprecoce. Quanto menor o GDU de acúmulo mais rápido irá completar o ciclo da lavoura, isso não significa que a planta irá pular estádios ou etapas no processo de desenvolvimento, mas sim que a duração em cada uma será acelerada. Esse é um ponto importante, que deve ser levado em consideração na hora de escolher o produto para a sua lavoura.

A escolha do ciclo do híbrido (hiperprecoce, superprecoce ou precoce) a ser utilizado na lavoura depende muito da necessidade de cada produtor, da finalidade do grão, das características edafoclimáticas e da época de plantio. Hoje em dia existem portfólios específicos para cada região e época de semeadura. Para fazer a escolha que melhor atende as necessidades é recomendado contatar o representante comercial da marca de sementes para que ele possa indicar o melhor híbrido para a região em busca de atender a demanda e os objetivos do produtor. 


 

¹Viviann Einsfeld
Seeds Field Agronomist
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