Quantos satélites a gente terá no futuro?

O primeiro satélite artificial da Terra, conhecido como Sputnik 1, foi lançado em 1957 pela União Soviética, dando início a uma verdadeira competição pelo domínio da exploração espacial. Não querendo ficar tecnologicamente atrás, os Estados Unidos aceleraram os testes para colocar o seu próprio satélite em órbita. No entanto, a primeira tentativa de lançamento não deu certo. Só em janeiro de 1958 os americanos conseguiram lançar o satélite Explorer 1. Em seguida, no mesmo ano, ainda como resposta aos soviéticos, foi criada a National Aeronautics Space Administration, a NASA, agência que desde então coordena as atividades relacionadas ao espaço.

Foi assim que tudo começou, mas de lá pra cá muita coisa já aconteceu. Hoje, 63 anos depois, a exploração espacial não se restringe mais ao duelo entre Estados Unidos e Rússia, antes União Soviética. Nos últimos anos, diversas nações investiram no setor e tiveram avanços significativos. Além dos países da União Europeia, que colaboram em uma agência única sediada em Paris, The European Space Agency (ESA), alguns outros nomes emergem nesse cenário: China, Japão, Índia, Irã, Coréia do Norte e Brasil.

Por falar em Brasil, pode-se afirmar que ele evoluiu muito desde que ampliou os investimentos no setor espacial, em 1941. Segundo a Agência Espacial Brasileira, o país se tornou o terceiro, em 1973 – depois de Estados Unidos e Canadá – a ter uma estação operacional para receber imagens de satélites. Em 1993 foi lançado o primeiro satélite brasileiro, o Satélite de Coleta de Dados (SCD-1), com a missão de coletar dados ambientais, e daí em diante muitos mais já foram lançados, algumas das vezes em articulação conjunta com outros países.

Hoje, por mais que o lançamento de um satélite possa ser um divisor de águas para o país que está coordenando a operação, sabemos que os seus impactos são globais. Desde 1967, quando foi assinado o Tratado do Espaço pela comunidade internacional, o espaço sideral é domínio da humanidade e sua exploração, portanto, deve ser feita em benefício de todos os países, independente de seu estágio de desenvolvimento. Aliás, nem só de iniciativas governamentais vive o mercado de exploração espacial. Esse espírito de cooperação está dando origem a uma nova geração de empreendedores interessados em explorar o potencial do crescente setor espacial. Muitas empresas já toparam o desafio e outras tantas demonstram interesse em contribuir com pesquisas e ações.

Empresas que vão além e deixam sua marca no espaço.

Só em janeiro deste ano, a SpaceX, empresa de exploração espacial do bilionário Elon Musk, colocou mais de 60 satélites em órbita. Até o momento, já são 180 satélites lançados, todos eles parte do projeto Starlink, que busca operar até 12 mil satélites para oferecer internet banda larga em escala global. A ambição do Facebook em também usar satélites para levar conexão de internet às regiões mais remotas do planeta não é novidade. Mas apesar das tentativas, o plano ainda não se concretizou. A Amazon, por outro lado, deu grandes avanços para tirar do papel o seu projeto Kuiper – com o mesmo objetivo das empresas citadas anteriormente. Em julho de 2019, ela solicitou à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos permissão para lançar 3.266 satélites de comunicação no espaço, entrando oficialmente em concorrência com a SpaceX.

Quem também não fica para trás é a Planet, fornecedora de imagens de satélite da Granular. Desde que surgiu, há uma década, a empresa lançou mais de 400 satélites no espaço – até agora também já fotografou cada canto da Terra por aproximadamente 1000 vezes. Os dados produzidos com tamanha tecnologia têm diversos fins. Curiosamente, em 2019, coberturas jornalísticas de eventos importantes como os ataques com o petróleo saudita, a apreensão de navios-tanque iranianos e desastres naturais, a exemplo dos incêndios na Califórnia e do tufão Lingling, foram feitas com imagens dos satélites da Planet. A NASA também se valeu de imagens da empresa para rastrear as principais variáveis climáticas do ano.

São tantos e tantos satélites já lançados que você pode estar se perguntando qual seria o número estimado disso. Dados fornecidos em fevereiro de 2020 pelo Escritório de Detritos Espaciais da ESA, localizado no Centro Europeu de Operações Espaciais (Darmstadt, Alemanha), dão uma boa noção do quão movimentado o espaço já foi, é e ainda será, muito em breve.

  • Número de lançamentos de foguetes desde o início da era espacial em 1957:
    Cerca de 5560 (excluindo falhas)
  • Número de satélites que esses foguetes lançaram na órbita da Terra:
    Cerca de 9600
  • Número destes ainda no espaço:
    Cerca de 5500
  • Número destes ainda funcionando:
    Cerca de 2300
  • Massa total de todos os objetos espaciais na órbita da Terra:
    Mais de 8800 toneladas

E o futuro, o que nos reserva?

Uma vez que o fim da corrida espacial deu início a uma era de colaboração entre os países e a abertura do mercado atraiu investimentos do setor privado, o aumento nas operações espaciais só tende a crescer, interferindo diretamente nas tecnologias que fazem parte do nosso dia a dia. Mas é importante pontuar que a pressa de colocar mais hardware em órbita tem suas desvantagens. Detritos orbitais, os já conhecidos lixos espaciais, flutuam por muitos anos e são um risco potencial para outros satélites. Além disso, quando satélites de mesma frequência estão muito próximos pode ocorrer interferência de sinal. Estimativas da NASA calculam em torno de 20.000 detritos maiores que uma bola de beisebol que já orbitam a terra e podem interferir no funcionamento dos satélites ativos.

Apesar de tudo isso, as atividades espaciais não podem parar. Por isso, a fim de garantir sua sustentabilidade a longo prazo, o Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS) está elaborando diretrizes de boas práticas, para que governos e empresas se comprometam em agir de forma ainda mais responsável. Afinal, se o mundo é nosso e o espaço também, é dever de todos cuidar muito bem deles.

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