Sequestro de carbono: um caminho para um futuro mais sustentável a partir da agricultura

O efeito estufa é um assunto recorrente na mídia e costuma estar presente em pesquisas, atitudes, projetos e estudos. Embora seja percebido como vilão, o efeito estufa também garante a nossa sobrevivência, mantendo a terra em uma temperatura menos fria. Isso se dá porque a radiação solar que entra na atmosfera terrestre interage com gases (chamados de gases do efeito estufa) que, por sua vez, não deixam o calor regressar totalmente para fora da atmosfera, e contribuem para manter a temperatura do planeta quente. Sem o efeito estufa, não haveria calor na terra e a vida como conhecemos hoje seria impossível.

Alguns exemplos dos gases que interagem com a radiação solar são: dióxido de carbono (CO2), gás metano (CH4) e óxido nitroso (N20).

Se o efeito estufa garante que a terra não se torne muito fria, e assim permite a nossa sobrevivência, o que há de errado com ele?

Com o efeito estufa não há nada de errado. O que acontece é que, nos últimos anos, a produção de gases do efeito estufa (principalmente o CO2) tem aumentado, fazendo a radiação solar interagir com uma grande quantidade de gases e com isso, mantendo mais calor na atmosfera e causando o que conhecemos por aquecimento global. Esse aumento de gases do efeito estufa é proveniente dos desmatamentos, dos transportes, das fermentações entérica dos animais, das termelétricas que funcionam a base de combustíveis fósseis, dos processos industriais, entre outros.

Em resumo, um planeta muito frio é tão inabitável quanto um planeta muito quente. E a realidade atual mostra que, a cada ano, a temperatura terrestre está aumentando porque os gases do efeito estufa também estão aumentando. Temos, então, o problema que repercute na mídia e está presente em pesquisas, projetos e estudos.

Iniciativas para mudar a realidade do aquecimento global

Existem muitas frentes para reverter o atual cenário do aquecimento global. Uma das mais importantes se chama “Protocolo de Quioto”, um acordo internacional criado em 1997 durante a Terceira Conferência das Partes (COP 3) realizada em Quioto, no Japão, que define responsabilidades e obrigações para países industrializados (maiores produtores dos gases do efeito estufa), na missão de reduzir o percentual de gases emitidos. O protocolo só passou a valer em 2005 e irá perdurar até 2050, quando será substituído pelo “Acordo de Paris”, fechado em 2015 na COP 21 de Paris.

Já o Brasil, em 1992 sediou a Conferência das Nações Unidas, ECO 92, bem como a Rio +20, em 2012, colocando o país em um papel de protagonista nas discussões sobre as mudanças climáticas.  Foi durante a ECO 92 que surgiu as discussões sobre um potencial mercado de carbono, como uma iniciativa para frear a emissão de gases causadores do efeito estufa.

Mas o que é o mercado de carbono?

O mercado de carbono foi uma das principais soluções encontradas por países para incentivar a redução da emissão de gases de efeito estufa através da comercialização do que conhecemos, hoje, como “créditos de carbono”.

Cada crédito de carbono corresponde a uma tonelada de carbono equivalente que deixou de ser emitida na atmosfera ou que foi absorvida.

Antes de tratarmos do mercado de carbono, precisamos saber o que é o carbono equivalente.

O carbono equivalente é um conceito que representa todos os gases do efeito estufa em uma única unidade. O mercado de carbono só comercializa “créditos de carbono”. Porém, existem outros tantos gases, além do CO2, causadores do efeito estufa. E você deve estar se perguntando: esse outros gases, tão maléficos quanto o CO2, ficam de fora das negociações?

A resposta é: não. Mesmo se tratando do “mercado de carbono”, outros gases que não o CO2 também são considerados, mas para isso eles são convertidos em carbono. É nesse momento que surge o termo “carbono equivalente”.

Carbono equivalente não quer dizer que um gás, como o metano (CH4), é transformado por um processo químico em dióxido de carbono CO2, para ser, posteriormente, comercializado no mercado de carbono. Mas sim, quer dizer, que esse outro gás recebe uma quantificação, um peso, um valor, conforme o seu Potencial do Aquecimento Global (Global Warming Potential – GWP). No GWP, cada gás possui uma equivalência ao CO2. E é dessa forma que todos os outros gases são incluídos nas negociações do mercado de carbono.

Agora, podemos partir para o mercado de carbono.

Relembrando: mercado de carbono funciona com a comercialização de créditos de carbono, esse mercado foi criado com a intenção de reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Quando um país possui créditos excedentes de carbono, ele poderá vendê-los para países que não conseguem cumprir suas metas. Para entender melhor, imagine que você possui lixeiras vazias na frente da sua casa e o seu vizinho possui lixeiras cheias e mesmo assim continua sem lugar para colocar o lixo. Você permite que o seu vizinho pegue suas lixeiras vazias para não deixar o lixo espalhado, porém, ele terá que pagar por isso.

E então, se cria o mercado: quem precisa, compra. Quem tem de sobra, vende.

Países que possuem mais créditos de carbono, ou seja, que estão cumprindo as regras de emissões de gases além do limite, podem vender esses créditos para países que não conseguem cumprir as diretrizes. Dessa forma, ao mesmo tempo em que seu país está em conformidade, o outro país, com taxas mais preocupantes de poluição, também fica, já que comprou créditos de carbono e conseguiu se encaixar dentro das diretrizes. A diferença é que os países que poluem mais precisam comprar o crédito, enquanto os países que conseguem ter melhores práticas se sentem motivados a continuarem com elas, sabendo que esse esforço será revertido em benefícios financeiros e também, é claro, em melhorias ambientais.

No Brasil, o mercado de carbono ainda não está regulamentado internamente. Ou seja, as iniciativas são voluntárias. Porém, a demanda e o interesse por créditos de carbono, cresce a cada ano.

Qual é a relação entre o mercado de carbono e a agricultura?

O aquecimento global é uma realidade que precisa ser combatida e a agricultura tem um papel importante nessa missão. Os países em que a atividade agrícola possui maior presença podem se tornar peças-chave para a diminuição dos gases causadores do efeito estufa e o Brasil, com sua relevância no agronegócio, tem tudo para ser uma grande força contra as mudanças climáticas.

Isso acontece porque as atividades agrícolas no campo, quando bem manejadas, possuem a natural habilidade de capturar o CO2 da atmosfera e contribuir com a diminuição dos gases do efeito estufa através de um processo conhecido como “sequestro de carbono”.

As plantas já “sequestram” carbono na sua essência através da fotossíntese, mas com adoção do Plantio Direto associado a Rotação de Culturas, é possível armazenar o carbono também no solo. Ao fim do ciclo de vida da planta, os resíduos culturais ficam depositados na superfície. Durante a decomposição, uma parte desses resíduos pode ser convertida em carbono orgânico enquanto a outra parte volta à atmosfera. Aqui está o pulo-do-gato: a quantidade de carbono que volta à atmosfera depende do manejo realizado.

Além disso, práticas como o Plantio Direto e Rotação de Culturas, estratégias para sequestrar o carbono, melhoram a qualidade do solo, trazendo benefícios ao desenvolvimento das plantas e, consequentemente, aumento da produção.

Iniciativa de Carbono da Corteva Agriscience

A Corteva Agriscience acredita que uma das soluções para diminuir os gases causadores do efeito estufa no planeta está nas lavouras, por isso a empresa está criando um programa voltado para o sequestro de carbono na agricultura, mas ainda em fase inicial em alguns estados dos Estados Unidos.

Como qualquer programa da Corteva, o foco está no agricultor. Todo o mercado que gira em volta do sequestro de carbono é muito novo e a tendência é que isso cause estranheza nos produtores. Mas a Corteva já está trabalhando para tornar o assunto simples e claro, fazendo com que os agricultores adotem práticas que sequestram carbono no solo para melhorar a estrutura da terra, aumentar a produção da cultura, reduzir custos com insumos e mostrar que o agricultor pode ser bonificado por estar retirando gases causadores do efeito estufa da atmosfera.

O Programa de Carbono (chamado de Carbon Initiative nos EUA) está projetado para dar aos agricultores uma maneira simples e flexível de vender créditos de carbono pelo preço justo e seguindo os termos vigentes. O agricultor não precisará se preocupar com riscos de mercado, bolsas de valores ou outros trâmites. Isso fica a cargo da Corteva. Assim, o produtor se mantém focado, como sempre, na agricultura.

A abordagem do Programa de Carbono da Corteva será integrada com suporte agronômico, ferramentas digitais, serviços de consultoria de carbono e acesso aos mercados de carbono. O agricultor trabalhará com seu representante comercial para construir um plano de campo e medir sua captura de carbono usando o Granular Insights.

Granular Insights: uma ferramenta útil para o sequestro de carbono

O Granular Insights já vem sendo usado por milhares de agricultores do mundo todo para monitorar lavouras, para proteger investimentos e potencializar a produção. E ele se mostra fundamental para o agricultor que deseja entrar no mercado de carbono, uma vez que se torna fácil coletar e gerenciar dados operacionais pelo Granular Insights, especificamente, nas práticas relacionadas ao sequestro de carbono.

O Granular Insights, por meio das imagens de satélite de alta resolução e da tecnologia WDRVI, é capaz de fazer uma leitura precisa e atualizada do Índice de Vegetação através da fotossíntese das plantas, o que torna possível ter uma leitura do sequestro de carbono. Essa leitura será revertida em créditos de carbono que serão vendidos no mercado de carbono e a recompensa repassada ao agricultor.

Atualmente, a Iniciativa de Carbono da Corteva Agriscience está em fase de testes em algumas regiões-chave. Durante 2021, estará disponível para agricultores de milho e soja nos estados de Illinois, Indiana e Iowa, nos EUA, mas a promessa é que o programa cresça e já em 2022 esteja presente em novas regiões.

O mercado do sequestro de carbono é novidade no momento, mas não irá demorar para ser realidade na agricultura brasileira, visto o grande potencial do país.

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