Seria possível monitorar sua lavoura se a terra fosse plana?

E se uma das verdades mais absolutas do mundo fosse refutada? O que você iria precisar para acreditar na nova teoria? Algumas pessoas, desde sempre informadas que o planeta Terra é redondo, passaram a acreditar, a defender e a compartilhar uma visão diferente daquilo que há anos se tinha como uma verdade inquestionável. Esse novo conceito defende que a Terra não é redonda, mas sim, plana. Os entusiastas dessa teoria são conhecidos como “terraplanistas” e para eles a Terra não é esférica.

Uma rápida contextualização sobre a teoria da Terra plana

Os terraplanistas acreditam que a Terra está parada, ela não gira, e que o Sol e a Lua seriam menores e mais próximos do planeta que os cientistas dizem. Para se ter uma noção do modelo apresentado pelos defensores da Terra plana, é preciso que se imagine um disco redondo achatado onde o Polo Norte estaria no centro e a Antártida nas bordas, formando uma enorme parede de gelo. Essa parede de gelo teria, por sua vez, uma função fundamental: não deixar que a água dos oceanos “vaze” para fora da Terra. Além disso, alguns terraplanistas defendem a ideia de que um domo envolve toda a Terra.

Ilustração que representa a Terra plana. Crédito: Mundo Educação.

Você pode estar se perguntando: como ninguém conseguiu sair desse “disco”? Os terraplanistas possuem uma explicação para isso. Eles acreditam que as bordas, o que seria a Antártida, estariam fortemente vigiadas. Por isso, seria impossível visitar o lugar em sua totalidade.

E assim, para cada dúvida que você possa ter sobre a Terra plana, há algum tipo de explicação na internet que, geralmente, é fundamentada pelos próprios terraplanistas e não por alguma comunidade científica.

Por outro lado, existe a teoria convencional de que a Terra é sim redonda e quem acredita no contrário está, redondamente enganado.

As imagens que, ao longo dos anos, mostram uma Terra redonda

A informação de que a Terra é redonda é antiga e comprovada de diversas formas com embasamentos científicos. As primeiras comprovações vêm das navegações. Em 1519, o português Fernão de Magalhães se lançou em uma expedição marítima que deu a volta ao mundo. Mas isso é só o começo, existem inúmeras evidências que provam que o planeta é, afinal de contas, redondo. Uma das provas mais incontestáveis são as fotografias do planeta tiradas do espaço.

A primeira imagem do nosso planeta foi feita em 24 de outubro de 1946. Nela, não temos cores, mas já é possível confirmar a teoria de que a Terra se tratava de “algo arredondado”.

A primeira foto da Terra a partir de um foguete lançado nos Estados Unidos em 1946. Fonte: U.S. Army – White Sands Missile Range/Applied Physics Laboratory.

A partir desta primeira imagem, seguiram-se diversas outras. Entre elas, podemos destacar a fotografia feita em 1967 pelo satélite DODGE, lançado pela Força Aérea dos Estados Unidos, que, mais uma vez, comprova a teoria de Terra redonda. O objetivo da missão não era confirmar o formato da Terra, mas as imagens provam o que a ciência já tinha dado como fato: a Terra é redonda.

Um dos primeiros retratos coloridos da Terra. A imagem foi tirada por uma câmera de TV preto e branco que tirou três fotos com um filtro vermelho, verde e azul e os combinou para formar a coloração. Fonte: Department of Defense Gravitational Experiment.

Avançando mais na linha do tempo das imagens da Terra, que podem ser consideradas como prova de que o planeta é redondo, temos as primeiras imagens feitas por seres humanos em 1968. E em 1969, as imagens da Terra a partir da chegada do homem na lua. Todas essas imagens, em diversos ângulos, em diversos anos, mostram um globo que está longe de ser uma planície.

Orbitando e monitorando a Terra

Para ter imagens da lavoura, o Granular Insights conta com a tecnologia dos satélites que precisam entrar em órbita para cumprir sua função. No caso da Terra ser plana, essa órbita não existiria ou ela seria diferente do que conhecemos hoje.

Clique aqui e entenda como nossos satélites são enviados ao espaço.

A Granular faz parceria com a Planet, empresa que lança satélites na órbita da Terra. Abaixo, um vídeo produzido pela própria Planet que ilustra o movimento dos satélites em torno da Terra. Esse movimento só acontece por conta da gravidade e do formato redondo do planeta. A tecnologia que temos desenvolvida hoje condiz com o formato da Terra. Se o planeta tivesse outro desenho, a tecnologia, para funcionar, mudaria e ela própria teria outra apresentação.

Para que o satélite cumpra o seu objetivo, não basta ele ser enviado para o espaço, ele precisa orbitar a Terra. Nos lançamentos, os foguetes que transportam satélites possuem uma trajetória curvada, porque sua missão não é seguir reto o mais alto possível, mas sim, entrar na órbita da Terra. Caso a Terra fosse plana, não iríamos perceber e nem precisaríamos fazer esse movimento de curvatura para atingir a órbita do planeta.

Imagem de um foguete lançado pela NASA no Alasca que mostra a curvatura de sua trajetória para entrar na órbita da Terra. Fonte: NASA/Christopher Perry

Imagem de um foguete lançado pela NASA no Alasca que mostra a curvatura de sua trajetória para entrar na órbita da Terra. Fonte: NASA/Christopher Perry

Se a Terra fosse plana, os foguetes e os satélites não conseguiriam, da forma que conhecemos hoje, chegar e manter-se em órbita. O monitoramento por imagens de satélites seria diferente. A tecnologia desenvolvida leva em consideração uma Terra redonda em que existe uma órbita. Essa é a realidade que faz os satélites irem ao espaço e entregarem imagens do planeta de um ponto fora do próprio planeta.

A teoria dos terraplanistas não se sustenta quando falamos das estações do ano que, só existem porque a Terra é redonda, orbita o sol, gira no próprio eixo e, ainda por cima, possui uma inclinação.

As estações do ano são consequência de uma Terra redonda

Quem lida com a agricultura sabe que as estações do ano ditam muitas decisões nas lavouras. Afinal, os efeitos climáticos (como temperatura, umidade, exposição ao sol, calor, luz natural), interferem no desenvolvimento das plantas e essas características são diferentes em cada estação do ano. É óbvio que no verão temos mais calor e sol e no inverno, mais frio e chuva.

O agricultor sabe que precisa cultivar culturas que se comportam melhor em certas condições climáticas. Naturalmente, existem culturas que se desenvolvem melhor no inverno e no verão, já outras na primavera e no outono. Mas você se perguntou o que forma essa variação climática? Já se perguntou porque não temos, o ano todo, uma única estação?

A explicação vem do formato da Terra. As estações são formadas pela inclinação do planeta em relação ao sol. Primavera, verão, outono e inverno só existem pelo movimento conhecido como “translação” em que a Terra, girando em seu próprio eixo, se movimenta, durante um ano, em torno do sol. E é esse giro que causa uma variação dos raios solares em diferentes posições do planeta, formando assim, as quatro estações. Em contrapartida, os terraplanistas defendem a ideia de que a Terra não gira. Logo, não teríamos estações.

Por mais que existam provas centenárias do formato redondo da Terra ainda há, em 2021, uma parcela da população que acredita que o planeta é plano. Em meio às teorias, práticas, explicações, fotografias, vídeos, cálculos e estudos, é difícil acreditar em outra versão, se não a já conhecida.

Não há nenhum mal em questionar a ciência, mas é preciso fazer as perguntas certas e usar pesquisa, tecnologia e, também, observações para provar e fundamentar uma nova teoria. Com o que temos atualmente, os fatos, a ciência e os estudos reafirmando que a Terra é redonda, resta aos terraplanistas, uma outra versão, baseada em especulações, de que a Terra é plana. Uma versão que carece de fundamentação científica para se sustentar.

As próprias imagens do Granular Insights provam que o planeta é redondo, e por ser redondo que conseguimos lançar os satélites no espaço para cumprir a função de monitoramento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Fique por dentro!

Deixe o seu e-mail para receber novos posts do blog direto em sua caixa de entrada