Tecnologias digitais fazem o agro evoluir e ser mais sustentável

Na publicação anterior do blog, você conheceu um pouco mais sobre o histórico da tecnologia na agricultura brasileira. E então, agora trouxemos esta publicação para lhe explicar melhor o que é a agricultura 4.0, a chegada dela no Brasil e como ela molda o cenário atual da agricultura brasileira. Confira abaixo:

Novo salto: a Agricultura 4.0

A modernização no campo no Brasil, a partir das tecnologias da Agricultura 3.0, possibilitou ao produtor adotar nova forma de gerenciamento da propriedade rural, ao otimizar recursos da produção, aumentar a produtividade e, o melhor: com menos impacto ambiental.

Ao mesmo tempo, novas tecnologias de fácil aplicação, acessíveis por meio de aparelhos móveis (smartphones e tablets), foram desenvolvidas e adotadas no campo. Dados passaram a serem armazenados em nuvem em grandes quantidades (área conhecida como Big Data), máquinas foram equipadas com redes de sensores, assim como os drones, que invadiram o campo; imagens de satélite ganharam melhor definição.

Todos esses avanços tecnológicos, advindos do setor industrial, são considerados a nova fase da agricultura digital, por se referirem à utilização da tecnologia de ponta na produção de alimentos, utilizando conexão em larga escala e dados auxiliando o produtor na tomada de decisão. Essa nova fase tem sido batizada de “Agricultura 4.0”.  A Agricultura 4.0 busca através da alta tecnologia, economizar recursos financeiros e naturais, trazendo um futuro mais sustentável do ponto de vista econômico e de recursos naturais.

Softwares de irrigação e estações meteorológicas conectadas à internet são capazes de gerar dados sobre temperatura, quantidades de água que determinada cultura precisa em cada fase de desenvolvimento, as quantidades que são absorvidas pelas raízes e as que escorrem solo abaixo. Com base nesses dados, é possível determinar a quantidade de água exata que a planta precisa naquele dia,dependendo do seu estádio de desenvolvimento.

Equipadas com o que há de mais moderno, as máquinas no campo são capazes de fazer o trabalho sem necessidade de um operador. Tratores com piloto automático fazem a colheita sozinhos e registram, por meio dos sensores e do GPS, a produtividade de cada área colhida. Em seguida, armazenam de forma automática os dados em nuvem, onde são processados por inteligência artificial e utilizados para fazer mapas de produtividade dos talhões.

Papel de grande importância tem também biotecnologia na Agricultura 4.0, ao auxiliar na adaptação de sementes e plantas às condições mais adversas, o que amplia o leque das áreas de cultivo. Por essas razões, vemos culturas antes cultivadas somente em áreas temperadas tendo bom desenvolvimento, por exemplo, em áreas de cerrado, com clima tropical. É a criação de sementes cada vez mais especializadas para solos e regiões, o que garante maior retorno e melhor uso dos recursos.

As inovações da biotecnologia na fase da Agricultura 4.0 têm possibilitado ao Brasil estar entre os principais produtores mundiais de alimentos, e possui papel fundamental também no que se refere à segurança alimentar para as próximas gerações. 

Com o avanço do uso de smartphone, o produtor consegue cada vez mais ter acesso à informação útil para a lavoura. E a internet 4G, já em uso no Brasil por 18,5% da população rural do país, segundo estudo recente do Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA), é um facilitador neste sentido.

Dezenas de aplicativos de gestão da fazenda, de monitoramento de pragas e doenças, de acompanhamento do ganho de peso dos animais, de crédito e comercialização foram e estão sendo desenvolvidos por startups e empresas do agro, as quais a cada dia trabalham para aperfeiçoar ainda mais as tecnologias em uso pelos produtores.

Esta facilidade de acesso às tecnologias diversas por meio apenas do uso de um smartphone amplia e democratiza o desenvolvimento do agronegócio moderno. Por meio de um aparelho móvel, é possível não só usar tecnologias cujas utilidades são para dentro da porteira, como também fazer negociações com compradores, grandes empresas, obter assistência técnica remota, comprar insumos e estabelecer redes de contatos com produtores rurais de outras cidades, estados e países.  

Agro tecnológico e sustentável

Avançar no uso de tecnologias deve ser o caminho a ser trilhado pela agricultura brasileira nas próximas décadas, sobretudo tendo em vista a responsabilidade que o país tem na produção de alimentos para todo o mundo.

As estimativas de organismos internacionais são de que o Brasil terá de aumentar a produção em 40% para haver oferta equilibrada de comida. E para isso, deve se agarrar em tecnologias que favorecem a uma produção com eficiência, competitividade e sustentabilidade: ciência de dados, imagens de satélite, internet das coisas, robótica, biologia sintética, agricultura vertical, rastreabilidade, dentre outras.

Tudo isso deve caminhar para a evolução da cadeia produtiva por completo, o que exige também que o homem do campo busque cada vez mais estar preparado para fazer o melhor uso possível das tecnologias na propriedade e dar sua parcela de contribuição para o desenvolvimento da agricultura brasileira.

Referências

Caso queira saber mais sobre alguns dos temas citados, veja abaixo alguns materiais que usamos como referência para a construção deste texto: 

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. O Futuro é Agro – Plano de Trabalho 2018 a 2030. 

Embrapa Transgênicos. 

Helaine Carrer; André Luiz Barbosa; Daniel Alves Ramiro. Biotecnologia na agricultura. Estudos avançados. vol. 24 no.70, São Paulo.  2010. 

Josiana Gonçalves Ribeiro, Douglas Yusuf Marinho, Regional Catalão, José Waldo Martínez Espinosa. Agricultura 4.0: desafios à produção de alimentos e inovações tecnológicas. 

Mauro Tschiedel, Mauro Fernando Ferreira. Introdução à agricultura de precisão: conceitos e vantagens. Ciência Rural, Santa Maria, v.32, n.1, p.159-163, 2002.

Vários autores. Agricultura de Precisão: Resultados de um novo olhar. Embrapa, 2014. 

Vários autores. Embrapa – Tecnologia em Mecanização no Brasil: Equipamentos e Sistemas para o Futuro. Sete Lagoas, MG 1997.

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Buscando mais precisão na agricultura

Renata Bobrowski Rodrigues, 11/03/2021