True Color: as imagens que revelam a realidade da lavoura

A atmosfera da Terra desempenha funções importantes que preservam a vida no planeta. Ela filtra a radiação ultravioleta, mantém a temperatura média da Terra e evita grandes amplitudes térmicas entre o dia e a noite. Em resumo, só existe vida na Terra graças a atmosfera. Por outro lado, ela torna o sensoriamento por imagens de satélite um desafio.

A atmosfera espalha a luz do sol antes que ela atinja o solo e, em seguida, espalha a luz refletida pela Terra novamente. Isso quando não há nuvens, igualmente brancas, no caminho para refletir ainda mais luz solar. Ou seja, é muita luz se difundindo em um espaço gigantesco, o que interfere na hora que os satélites vão fotografar.

Um dos conceitos mais básicos da fotografia é que ela se trata de uma gravação gerada pela luz. O resultado de uma fotografia feita em um lugar sem luz é uma tela preta e o resultado de uma fotografia tirada em um lugar com muita luz é uma tela branca. Se tratando de uma fotografia que ultrapassa a atmosfera (como dito anteriormente: um lugar onde há muita luz espalha), o resultado você já pode imaginar: imagens muito brancas.

Para que você consiga entender um pouco melhor como as imagens são captadas do espaço, é importante saber que os satélites são enviados para a órbita da Terra e fazem sua viagem até a última camada da atmosfera, conhecida como “exosfera”, que fica há mais de 900 quilômetros de distância do planeta. Quer saber como os satélites são lançados no espaço? Temos um post explicando.

Ilustração das cinco camadas da atmosfera em que é possível observar a Exosfera, lugar em que os satélites orbitam. 

É da exosfera, desse lugar distante do solo, que são tiradas as imagens da Terra pelos satélites. Para que seja possível ver captar alguma coisa, perpassar toda a imensa atmosfera, com suas várias mudanças de temperatura e luminosidade, é preciso tecnologia de ponta com câmeras e sensores poderosos. Caso contrário, a fotografia sairia totalmente branca e isso não seria útil para o monitoramento de lavouras ou de qualquer outro tipo.

A imagem “True Color” e a imagem “False Color”

Logo abaixo, temos uma captura de tela do Granular Insights mostrando um talhão em que a camada “True Color” está selecionada. “True Color”, quando traduzido para o português, significa “Cor Verdadeira”. O que vemos é uma imagem esbranquiçada, sem muitas cores e com aspecto de “nublada”. Essa, nada mais é do que uma foto real.

Nessa captura de tela podemos ver o filtro “True Color” ativo no talhão. Repare a diferença entre a imagem da lavoura que está contornada, com a imagem ao redor que se trata de uma “False Color”.

Observe na imagem: ao redor, fora do contorno do talhão, temos um cenário muito diferente do retratado com o “True Color”. A fotografia mostra campos verdes, árvores, estradas, construções, como se estivéssemos vendo tal qual conseguimos enxergar ao vivo. Isso se trata de um “False Color”, ou seja, uma imagem falsa. A fotografia existe, porém não dessa forma que vemos. O que acontece é que essa imagem, ao redor, recebe tratamento para que pareça mais natural aos nossos olhos. Assim, conseguimos identificar os elementos de uma forma rápida e que faça sentido. Porém, não é a imagem tal qual o satélite capturou. Muitas vezes, até mesmo, essas imagens que nos parecem mais “reais” nem foram capturadas por satélites, mas sim por aviões ou balões que não precisaram ingressar na exosfera e, portanto, não sofrem com tamanha “perda” de luz

A imagem “True Color” e o Índice de Vegetação

Você pode estar se perguntando: porque as imagens capturadas pelo Granular Insights não recebem, também, tratamento de imagens para se parecerem mais condizentes com o que vemos com nossos olhos?

A resposta é simples: o Índice de Vegetação, o filtro por onde é possível acompanhar o desenvolvimento das plantas a partir da fotossíntese, é baseado na imagem verdadeira da lavoura. Ou seja, para o Índice de Vegetação entregar a real condição da área, ele precisa se basear em uma imagem com “True Color”, que considera a reflectância natural das plantas. O que também pode ajudar na análise do usuário.

A imagem “True Color” não é tão, esteticamente, bonita quanto a “False Color”, mas o objetivo dela, para um monitoramento eficiente, não é ser bonita, mas sim, revelar a verdadeira condição da área. Servir como uma referência. Não é por ser mais esbranquiçada, difícil de entender, que a imagem é ruim. Bem pelo contrário, esse aspecto faz o Índice de Vegetação funcionar bem.

Imagine, você, se o satélite fosse capturar uma imagem do talhão e depois essa mesma imagem passasse por um processo de edição de cores para parecer mais bonita aos nossos olhos. Todas as informações reais se perderiam e o Índice de Vegetação seria baseado em uma foto verdadeira sim, porém, que recebeu manipulação ao ponto das informações originais sumirem. Então, não há erro ou problemas de visualização com as imagens “True Color”, elas retratam a verdade e em cima dessa verdade que o Índice de Vegetação é formulado. Os relevos, as vegetações, as cores, as imperfeições, os tons refletidos pelas plantas e todas as demais informações da área são mantidas para que isso se converta dados úteis no momento de monitorar, fazendo com que o produtor veja em sua tela um Índice de Vegetação fiel a realidade da lavoura.

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